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Com El Niño, Oceano Pacífico tem aquecimento inédito; veja impactos no Brasil

Fenômeno ainda deve ganhar força nos próximos meses e pode alterar o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país

23 set 2026 - 11h40
Resumo
O avanço do El Niño gerou um aquecimento inédito no Oceano Pacífico, com médias mais de 2°C acima do normal e pico previsto entre novembro e janeiro. Potencializado pelo aquecimento global, o fenômeno deve afetar o clima no Brasil durante o verão, trazendo calor prolongado, seca no Norte e Nordeste, excesso de chuva no Sul e instabilidade no Sudeste e Centro-Oeste. Especialistas seguem monitorando a intensidade do evento para determinar a extensão exata dos seus impactos climáticos.

O Oceano Pacífico já registra temperaturas diárias inéditas em meio ao avanço do El Niño de 2026. Na faixa Niño 3.4, uma das áreas observadas pelos climatologistas, os índices ficaram cerca de 3°C acima da referência em setembro e superaram marcas anteriores.

Temperaturas no Oceano Pacífico já superam marcas anteriores, enquanto especialistas acompanham a evolução do fenômeno até o verão
Temperaturas no Oceano Pacífico já superam marcas anteriores, enquanto especialistas acompanham a evolução do fenômeno até o verão
Foto: Mateus Andre/Getty Images / Bons Fluidos

O dado diário, contudo, não determina sozinho a intensidade final do fenômeno. Especialistas acompanham principalmente médias calculadas durante períodos mais longos. Em setembro, esse índice está em aproximadamente 2,1°C acima do normal, nível considerado elevado.

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Além disso, climatologistas esperam que o El Niño continue ganhando força. O período de maior intensidade deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, justamente durante a chegada do verão ao Brasil.

Oceano Pacífico ainda pode aquecer mais

O fenômeno está ligado ao aquecimento anormal de uma extensa área do Pacífico tropical. Essa mudança no oceano repercute no clima de diferentes partes do planeta, inclusive no regime de chuvas e no comportamento das temperaturas. No episódio atual, a evolução dos índices antes mesmo do período esperado de maior intensidade chamou a atenção dos especialistas.

"Não temos uma previsão de anomalias, mas o aquecimento pode chegar à média mensal próxima de 2,6°C ou 2,8°C. Certamente pode ter dias com 3°C ou mais, mas a média mensal é utilizada para caracterizar a intensidade do El Niño", explicou José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, em entrevista ao 'g1'. 

Por isso, ainda não é possível definir exatamente até onde este episódio chegará. Os cientistas continuam acompanhando sua evolução.

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O que pode mudar no Brasil?

No Brasil, uma das principais preocupações para a primavera e o verão envolve períodos prolongados de temperaturas elevadas. As mudanças nas chuvas também variam conforme a região.

Partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar menor precipitação, enquanto o Sul tende a ter condições mais favoráveis a volumes elevados e episódios extremos. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a distribuição das chuvas pode se tornar mais irregular.

Isso não significa que todas essas condições ocorrerão da mesma forma ou com a mesma intensidade. Cada El Niño interage de maneira diferente com outros fatores da atmosfera, o que limita previsões muito antecipadas sobre seus efeitos locais.

Aquecimento global também entra nessa equação

Desta vez, o ciclo natural encontra um cenário climático diferente daquele de décadas anteriores, marcado pelo avanço do aquecimento global. Temperaturas já elevadas, então, podem ampliar alguns efeitos associados ao El Niño.

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"Os cientistas ainda estão avaliando se os impactos serão proporcionais à sua magnitude, mas já estamos vendo os efeitos esperados em todo o mundo", afirmou Adam Scaife, chefe de Previsão de Longo Prazo do Met Office, à 'BBC'.

Por isso, embora os números registrados no Pacífico já chamem atenção, o acompanhamento do fenômeno será essencial para definir sua dimensão e compreender melhor os reflexos no clima brasileiro.

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