Oferecimento

Ceratocone: o que é a doença que deixa a córnea 'pontuda'?

Doença ocular que costuma surgir na adolescência, o ceratocone pode evoluir ao longo dos anos, mas diagnóstico precoce e tratamento adequado ajudam a preservar a visão

27 jan 2026 - 19h10

Visão embaçada, distorcida, sensibilidade à luz e trocas frequentes de grau nos óculos não devem ser ignoradas - especialmente quando surgem ainda na adolescência. Esses sinais podem indicar o ceratocone, uma condição ocular que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho e essencial para a formação das imagens.

Ceratocone afina e deforma a córnea, causando visão distorcida e sensibilidade à luz; entenda os sintomas e tratamentos
Ceratocone afina e deforma a córnea, causando visão distorcida e sensibilidade à luz; entenda os sintomas e tratamentos
Foto: Reprodução: Canva/Zarina Lukash / Bons Fluidos

No ceratocone, a córnea vai ficando progressivamente mais fina e perde seu formato arredondado, adquirindo uma curvatura em forma de cone. Essa alteração compromete a passagem correta da luz até a retina, causando astigmatismo irregular, miopia e queda da qualidade visual. A doença costuma aparecer entre a puberdade e o início da vida adulta e pode evoluir lentamente ao longo dos anos.

Publicidade

Segundo dados do Ministério da Saúde, o ceratocone afeta cerca de 150 mil pessoas por ano no Brasil e, embora geralmente atinja os dois olhos, costuma evoluir de forma diferente em cada um deles.

Por que o ceratocone surge?

As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, mas os especialistas apontam para uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Ter histórico familiar aumenta o risco, assim como algumas condições associadas ao tecido conjuntivo.

Um fator importante (e muitas vezes subestimado) é o hábito de coçar os olhos com frequência, especialmente em pessoas com alergias oculares. Esse gesto repetitivo provoca microtraumas na córnea e pode acelerar a progressão da doença. Por isso, tratar alergias, controlar a coceira e orientar crianças e adolescentes a evitarem esfregar os olhos é uma das medidas mais importantes para preservar a saúde ocular.

Sintomas que merecem atenção

Os sinais do ceratocone costumam aparecer de forma gradual e podem ser confundidos com problemas comuns de visão. Entre os mais frequentes estão:

Publicidade
  • Visão borrada ou distorcida, para perto e para longe;
  • Aumento rápido e recorrente do grau dos óculos;
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Dificuldade para enxergar à noite;
  • Visão dupla ou múltiplas imagens;
  • Halos ao redor das luzes;
  • Dor de cabeça associada ao esforço visual.

Com o avanço da doença, a córnea pode se tornar mais irregular e proeminente, dificultando a correção visual apenas com óculos.

Como ocorre o diagnóstico

O diagnóstico do ceratocone é realizado pelo oftalmologista a partir da avaliação clínica e de exames específicos. Além do exame de refração e da lâmpada de fenda, são fundamentais os testes que analisam a curvatura e a espessura da córnea.

Entre eles estão a topografia e a tomografia corneana (como o Pentacam), que produzem mapas detalhados da córnea e permitem identificar alterações precoces, acompanhar a progressão da doença e definir a melhor estratégia de tratamento. Quanto mais cedo o diagnóstico acontece, maiores são as chances de controlar a evolução e preservar a visão.

Opções de tratamento: do conservador ao cirúrgico

O tratamento do ceratocone depende do estágio da doença e da intensidade dos sintomas. Em fases iniciais, óculos podem ser suficientes para corrigir a visão. Com a progressão, lentes de contato (especialmente rígidas ou esclerais) costumam oferecer melhor qualidade visual.

Quando há risco de progressão, um dos principais tratamentos indicados é o crosslinking da córnea. O procedimento utiliza riboflavina (vitamina B2) associada à luz ultravioleta para fortalecer as fibras de colágeno da córnea, com o objetivo de estabilizar a doença. Ele não melhora o grau, mas ajuda a impedir que o ceratocone avance.

Publicidade

Outra alternativa é o implante de anel intraestromal (anel de Ferrara), que ajuda a regularizar o formato da córnea, reduzir o astigmatismo e melhorar a qualidade da visão, além de facilitar o uso de óculos ou lentes.

Em casos mais avançados, quando os tratamentos conservadores não são suficientes, pode ser necessário recorrer ao transplante de córnea. Hoje, técnicas mais modernas permitem preservar parte da córnea do próprio paciente, reduzindo riscos e melhorando a recuperação.

Ceratocone tem cura?

O ceratocone não tem cura, mas pode ser controlado. Em muitos casos, a doença se estabiliza após alguns anos, especialmente quando diagnosticada cedo e tratada corretamente. Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas mantém boa qualidade visual ao longo da vida.

O papel da prevenção e do acompanhamento

Não é possível impedir o surgimento do ceratocone, mas é possível frear sua progressão. Evitar coçar os olhos, tratar alergias, usar colírios lubrificantes quando indicado e realizar consultas regulares com o oftalmologista são atitudes fundamentais.

Publicidade

Crianças e adolescentes com histórico familiar devem ter atenção redobrada. Informação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo fazem toda a diferença para preservar a visão. Cuidar dos olhos é um investimento para a vida inteira - e, no caso do ceratocone, começar cedo é a melhor forma de enxergar o futuro com mais nitidez.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se