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Células iPS são usadas pela primeira vez em tratamento cardíaco no Japão

Técnica experimental utiliza tecido produzido em laboratório para tentar recuperar a função do coração de uma paciente com insuficiência cardíaca grave

30 set 2026 - 21h29
Resumo
Médicos no Japão realizaram a primeira cirurgia cardíaca com células iPS aprovada no país, aplicando lâminas de tecido regenerativo no coração de uma paciente com insuficiência cardíaca grave. A tecnologia inovadora, desenvolvida pela Universidade de Osaka com a Cuorips, visa restaurar a função do órgão sem necessidade de transplante. Apesar de testes preliminares apontarem melhorias nos sintomas, o tratamento segue sob avaliação médica contínua para comprovar sua segurança e eficácia a longo prazo.

Uma nova possibilidade para o tratamento de doenças cardíacas ganhou espaço no Japão. Em 29 de setembro, médicos do Hospital Osaka Keisatsu realizaram uma cirurgia que utilizou células do músculo cardíaco produzidas a partir de células iPS, um tipo de célula-tronco. A paciente, uma mulher na faixa dos 50 anos, apresenta um quadro grave de insuficiência cardíaca. Segundo o 'G1', que publicou a informação com dados da agência 'AFP', o procedimento representa a primeira aplicação clínica dessa terapia depois que o Japão autorizou seu uso dentro do sistema de saúde. O próprio Hospital Osaka Keisatsu também confirmou a realização da cirurgia. Durante a operação, os médicos colocaram três lâminas formadas por células do músculo cardíaco sobre o coração da paciente. Agora, a equipe acompanha a evolução do quadro para avaliar os efeitos do tratamento.

Médicos no Japão utilizam células cardíacas produzidas a partir de células iPS em uma nova estratégia para tratar a insuficiência cardíaca
Médicos no Japão utilizam células cardíacas produzidas a partir de células iPS em uma nova estratégia para tratar a insuficiência cardíaca
Foto: Canva / Bons Fluidos

Como as células iPS podem ajudar o coração?

As células iPS surgem a partir da reprogramação de células adultas. Com técnicas específicas, pesquisadores conseguem fazer com que elas adquiram características semelhantes às das células-tronco e, posteriormente, produzam diferentes tipos de células do organismo. Nesse tratamento, os cientistas transformaram as células iPS em cardiomiócitos, responsáveis pela contração do músculo cardíaco.

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Depois, a equipe organizou essas células em lâminas e colocou o material sobre a superfície do coração. A estratégia busca estimular a recuperação do tecido cardíaco e melhorar o funcionamento do órgão. O cirurgião Yoshiki Sawa e sua equipe, da Universidade de Osaka, desenvolveram a tecnologia utilizada no procedimento. A empresa Cuorips também participou do desenvolvimento do produto RiHEART.

Resultados ainda exigem acompanhamento

Antes dessa aplicação, pesquisadores testaram a técnica em oito pacientes com doença cardíaca isquêmica. De acordo com informações divulgadas pela imprensa japonesa, todos apresentaram redução dos sintomas e quatro tiveram melhora na função cardíaca. No entanto, esses resultados ainda não permitem concluir que a terapia funcione para todos os pacientes. Afinal, os pesquisadores precisam acompanhar os participantes durante um período maior para verificar a duração dos efeitos e possíveis riscos. Além disso, o Japão concedeu uma aprovação condicional ao tratamento. Por isso, as autoridades exigem novos dados sobre segurança e eficácia enquanto os médicos ampliam a utilização da tecnologia.

Uma alternativa ao transplante?

A nova técnica também chama atenção por outro motivo: a dificuldade de encontrar órgãos para transplantes cardíacos. Em casos graves, o transplante pode representar uma alternativa, mas a quantidade de doadores não atende a todos os pacientes que precisam do procedimento. Nesse cenário, a medicina regenerativa procura caminhos diferentes. Em vez de substituir o coração por um órgão de outra pessoa, os pesquisadores tentam estimular o próprio tecido cardíaco a recuperar parte de sua função.

Por enquanto, contudo, a técnica continua em fase de acompanhamento. Os próximos casos deverão ajudar os cientistas a entender quais pacientes podem se beneficiar do tratamento, quanto tempo os efeitos permanecem e quais cuidados serão necessários. Assim, o procedimento realizado no Japão amplia as possibilidades de aplicação das células iPS na medicina. Ao mesmo tempo, os resultados futuros serão fundamentais para determinar até onde essa tecnologia poderá chegar no tratamento das doenças cardíacas.

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