Os atendimentos por câncer de pulmão em pessoas acima de 50 anos cresceram 31,5% no Brasil entre 2021 e 2025. Frequentemente assintomática no início, a doença tem no envelhecimento e no tabagismo seus maiores fatores de risco. O diagnóstico precoce via tomografia de baixa dose é essencial para viabilizar tratamentos curativos. Por isso, especialistas alertam para a importância do rastreamento preventivo periódico e do abandono imediato do fumo para salvar vidas.
Atendimentos a pessoas 50+ para câncer de pulmão aumentaram 31,5% em quatro anos. Exame de rastreio é essencial
O número de atendimentos para câncer de brônquios e pulmão entre pessoas acima de 50 anos aumentou 31,5% em quatro anos, no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram 21.370 assistências ambulatoriais em 2021 e 28.107 em 2025. O diagnóstico precoce é fundamental em pacientes com mais de 50 anos, especialmente fumantes e ex-fumantes. E o acompanhamento médico regular e a adesão aos programas de rastreamento podem salvar vidas.
Grupo mais atingido pelo câncer de pulmão
Segundo a pneumologista do Iamspe, Helen Coutinho, o câncer de pulmão atinge com mais frequência os idosos, e o principal fator de risco é o tabagismo. "O envelhecimento contribui para o aumento da incidência dessa neoplasia, já que o acúmulo natural de alterações genéticas nas células, ao longo da vida, favorece o surgimento de mutações. Quando esse processo se associa ao histórico de tabagismo, o risco é ainda mais elevado", explica.
O câncer de pulmão é assintomático em estágio inicial na maioria dos casos. Os sintomas da neoplasia costumam surgir em quadros avançados. São sinais: tosse persistente, falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, perda de peso e cansaço. Também podem ocorrer manifestações menos conhecidas, como rouquidão persistente, infecções respiratórias de repetição, dor no ombro ou nas costas, inchaço no rosto, pescoço ou braços e alterações no tamanho da ponta dos dedos e na curvatura da unha — quadro conhecido como baqueteamento digital.
"Quando a doença é identificada precocemente, muitas vezes, o tratamento pode ser apenas cirúrgico, com possibilidade de cura e excelentes resultados a longo prazo. Por isso, o acompanhamento médico e o rastreamento das pessoas com maior risco são essenciais", destaca a especialista do Iamspe. O rastreio é feito por meio da Tomografia Computadorizada de Tórax de Baixa Dose (TCBD), exame que permite identificar tumores antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Prevenção
A principal forma de prevenção continua sendo não fumar ou interromper o tabagismo o quanto antes, além de não se expor ao fumo passivo. Outras medidas que podem ser adotadas são manter hábitos saudáveis — como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso — e evitar ou reduzir o contato com fumaças industriais, combustíveis de biomassa, amianto e poluição do ar.