Dia da Televisão: veja como o equipamento transformou os projetos residenciais

A evolução tecnológica do aparelho trouxe novas necessidades para os ambientes, influenciando a infraestrutura e a estética dos espaços

11 ago 2026 - 12h02

Mesmo com as transformações na forma de consumir entretenimento, a televisão permanece como um dos principais pontos de encontro dentro de casa. Seja para assistir a séries e filmes nos streamings, acompanhar transmissões esportivas ou jogar videogame, a tela continua presente na rotina e exerce grande influência na forma como os ambientes são planejados e utilizados.

Ao longo de mais de sete décadas, a presença das TVs ajudou a redefinir as salas de estar e trouxe novas soluções para integrar tecnologia, conforto e decoração Projeto: escritório Spaço Interior |
Ao longo de mais de sete décadas, a presença das TVs ajudou a redefinir as salas de estar e trouxe novas soluções para integrar tecnologia, conforto e decoração Projeto: escritório Spaço Interior |
Foto: Kadu Lopes / Portal EdiCase

Muito antes de as Smart TVs reunirem plataformas de entretenimento em um único equipamento, a chegada da televisão ao Brasil, em 1950, provocou uma mudança na configuração das residências. A sala de estar, tradicionalmente concebida para conversas, encontros familiares e momentos de descanso, ganhou um novo ponto focal.

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Comemorado em 11 de agosto, desde 1958, o Dia da Televisão homenageia a evolução e a importância desse equipamento no Brasil. A data faz referência ao dia da morte de Santa Clara de Assis, declarada a padroeira da televisão, e oferece um bom ponto de partida para observar como a evolução desse item se dá lado a lado com a arquitetura de interiores.

Ao longo de pouco mais de sete décadas, a tecnologia influenciou o layout das salas, impulsionou novas soluções de marcenaria, transformou os projetos de iluminação e redefiniu a forma de viver os espaços da casa.

Da roda de conversa para um novo ponto de atenção

Antes de a televisão fazer parte da rotina das famílias, as salas de estar eram organizadas para favorecer a interação entre as pessoas. Sofás e poltronas voltavam-se uns para os outros, entregando uma configuração que estimulava conversas, leitura e momentos compartilhados.

A chegada da TV mudou essa lógica. A tela passou a ocupar a parede principal da sala e, naturalmente, o mobiliário foi reorganizado para garantir conforto visual. Sofás ganharam um novo posicionamento e surgiram racks, estantes e painéis específicos para acomodar os aparelhos eletrônicos, enquanto o layout passou a considerar distâncias, circulação e diferentes ângulos de visualização.

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Com aparelhos mais modernos, os projetos passaram a buscar formas discretas de incorporar a televisão aos espaços Projeto: arquiteta Patricia Penna |
Foto: Leandro Moraes / Portal EdiCase

Quando a infraestrutura passa a fazer parte do projeto

A evolução tecnológica das televisões também redefiniu a maneira como os ambientes são planejados. Se antes os aparelhos exigiam móveis robustos para acomodar também os equipamentos de som, videocassetes, DVDs e uma grande quantidade de cabos aparentes, hoje o objetivo é exatamente o contrário: fazer com que toda essa infraestrutura praticamente desapareça.

Por isso, os projetos costumam prever, ainda na fase de obra, a localização da televisão, os pontos elétricos, conduítes para passagem de cabos, conexões de internet e suportes de fixação. Esse planejamento permite esconder toda a infraestrutura dentro das paredes ou da marcenaria, resultando em uma composição mais limpa e visualmente organizada.

Quando a instalação não foi prevista antecipadamente, painéis em madeira e móveis planejados tornam-se importantes aliados. Além de esconder a fiação, essas soluções acomodam equipamentos complementares e evitam intervenções maiores na alvenaria.

Essa preparação também amplia as possibilidades de instalação. Dependendo das características do ambiente, a televisão pode ser fixada diretamente na parede, instalada sobre painéis, compor suportes articulados ou integrar estruturas desenhadas sob medida para o projeto.

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A televisão divide espaço com a arquitetura

Antes, a parede da televisão concentrava praticamente toda a atenção da sala. Hoje, a tendência é construir composições mais equilibradas, em que a tecnologia convive naturalmente com os demais elementos do ambiente.

Em vez de dedicar uma parede exclusivamente ao aparelho, a marcenaria incorpora nichos, estantes, livros, obras de arte, plantas e objetos decorativos que distribuem o interesse visual pelo espaço. A televisão continua presente, mas deixa de monopolizar a composição.

Esse conceito acompanha uma característica marcante dos projetos contemporâneos, principalmente em apartamentos e plantas integradas. Em grande parte das residências, a sala de estar também é o espaço destinado à televisão, reunindo diferentes funções em um único ambiente.

Por isso, o desafio da arquitetura deixou de ser elaborar uma sala voltada exclusivamente para assistir TV e passou a ser entregar um espaço capaz de acomodar o entretenimento sem abrir mão do conforto e da convivência. O equipamento passa a ser tratado como mais um elemento da composição arquitetônica — importante, mas longe de ser o protagonista.

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O planejamento do ambiente deve considerar conforto visual, circulação e iluminação para tornar o uso da televisão mais agradável Projeto: arquiteta Daniela Funari |
Foto: Julia Novoa / Portal EdiCase

Conforto é resultado de um projeto bem resolvido

Assistir televisão envolve, além de escolher uma tela de grandes dimensões, a comodidade visual e a ergonomia que começa ainda na concepção do ambiente.

O dimensionamento da televisão deve respeitar as proporções da parede e do espaço disponível, evitando que o equipamento se torne desproporcional em relação ao restante da composição. Da mesma forma, a instalação deve considerar uma altura que favoreça o campo de visão de quem está sentado, reduzindo esforços durante longos períodos de uso.

A distribuição do mobiliário segue o mesmo princípio. Sofás confortáveis, poltronas alocadas de forma estratégica e uma circulação bem planejada permitem que o ambiente funcione tanto para assistir a um filme quanto para receber visitas ou simplesmente aproveitar momentos de descanso.

A iluminação também exerce papel decisivo. Projetos luminotécnicos costumam privilegiar luz indireta e temperaturas de cor mais quentes, entre 2.700 K e 3.000 K, propiciando uma atmosfera acolhedora e reduzindo reflexos sobre a tela. Recursos como dimerização e automação oferecem flexibilidade para adaptar a intensidade da iluminação conforme a atividade realizada, enquanto perfis de LED, arandelas e luminárias de apoio ajudam a valorizar texturas, revestimentos e elementos decorativos sem comprometer o conforto visual.

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A TV também conquistou os dormitórios

A presença da televisão extrapolou as áreas sociais da casa e passou a fazer parte dos dormitórios, exigindo soluções específicas para garantir conforto e integração estética. Nesses ambientes, a posição da tela deve considerar tanto quem assiste deitado quanto quem utiliza a cabeceira como apoio para leitura ou momentos de descanso. Quando o alinhamento com a cama não é possível, suportes articulados ampliam a mobilidade do aparelho e tornam a visualização mais confortável.

Assim como acontece nas salas de estar, painéis planejados facilitam a passagem da infraestrutura, escondem a fiação e contribuem para uma composição visual mais organizada. O tamanho da televisão também acompanha as dimensões do dormitório, preservando o equilíbrio entre os diferentes elementos do ambiente.

Por Danilo Costa

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