Em uma esquina da Rua do Comércio, no Centro Histórico de Paraty (RJ), miniaturas de casas históricas, barcos, locomotivas e igrejas chamam a atenção de turistas que passam pelo local, e muitos param para observar. A arte rica em detalhes é construída pelo artista plástico Edba, de 60 anos. Ao Terra, ele conta que o ofício começou motivado pela falta de dinheiro da família para comprar brinquedos durante a infância.
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"Comecei a fazer por uma necessidade de criança. Venho de família muito humilde e, na época, meus pais com cinco filhos não tinham muitas condições. Ele falava para gente assim: 'eu não tenho dinheiro para muita coisa, vocês preferem dinheiro ou comida?' A gente preferia comida. Só que o tempo foi passando e, como toda criança, eu queria um brinquedo", lembra Ed, apelido pelo qual também é conhecido.
Com esse desejo no coração, aos 7 anos, ele passou a pegar brinquedos quebrados que encontrava no lixo para brincar. O seu sonho, no entanto, era ter um Ferrorama -- um brinquedo produzido pela marca Estrela, sucesso de vendas na década de 1980 --, que consiste em uma ferrovia com uma locomotiva.
"Eu pegava os brinquedos quebrados, e aí tinha alguns que eu gostava mais. Então, eu pegava outros no lixo e tentava adaptar naqueles. Não dava muito certo, não tinha muito entendimento, ficava meio torto, mas funcionava. O tempo foi passando e eu fui adquirindo técnicas e comecei a tentar fazer peças para os brinquedos com material reciclado, fui entendendo como funcionava", recorda.
Aos 14 anos, ele passou a fabricar todas as peças e não parou mais. Por muito tempo, Ed produziu os brinquedos somente como hobby. Mais tarde, aos 40, ele dedicou oito anos a restaurar brinquedos quebrados e distribuí-los para crianças no Natal.
Trabalho 100% manual
Natural de Petrópolis (RJ), o artista reside em Paraty desde 1982. Ao longo dos anos, ele fez um curso de qualificação profissional em tornearia mecânica e trabalhou como projetista em escritórios de arquitetura, onde aprendeu outras técnicas para desenvolver as miniaturas. Atualmente, ele se dedica exclusivamente à arte e também é músico.
A principal matéria-prima do trabalho de Ed é o tubo de PVC, e toda a produção é manual. O material é aberto, transformado em placas e cortado com lâmina de bisturi. Para maquetes maiores, ele também utiliza papel Paraná.
As peças construídas são expostas de quinta-feira a sábado no Centro Histórico de Paraty, em um ponto autorizado pela Prefeitura. Nos demais dias da semana, ele faz a produção do material. Os preços variam conforme a complexidade de criação.
O artista destaca a felicidade ao ver as peças prontas: "Sou extremamente grato a Deus por ter me dado esse dom. Sou extremamente feliz porque cada dia eu aprendo uma técnica nova e, quando alguém me pede para fazer alguma coisa que eu nunca fiz e eu tenho que fazer aquilo, inventar como eu vou fazer, e depois eu vejo o resultado que é tão belo, eu sou muito feliz e muito grato."
Entre as suas criações preferidas, Ed diz que é "muito difícil" escolher, mas cita a maquete da Casa de Cultura de Paraty e uma réplica do Museu Imperial de Petrópolis. Uma terceira é a miniatura da primeira locomotiva trazida ao Brasil. A obra foi feita em homenagem ao pai dele, que trabalhou por anos como maquinista.
A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.