Ela aprendeu cestaria com a prima no quilombo e faz sucesso no RJ há 30 anos: 'Está no meu sangue'

Sueli Martins Mariano trança fibras de folha de taboa e cria várias peças decorativas para vender no Centro Histórico de Paraty

31 jul 2026 - 04h58
(atualizado às 09h04)
Mulher aprendeu cestaria no quilombo e faz sucesso no RJ: 'Está no meu sangue'
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Há mais de 30 anos, a artesã Sueli Martins Mariano, de 57 anos, faz sucesso no Centro Histórico de Paraty, cidade no litoral do Rio de Janeiro. Quem passa pela Rua do Comércio encontra a paratiense sentada trançando fibras de folha de taboa e transformando o material em belas cestas, bolsas, entre outras peças de decoração, para vender.

Natural de Paraty, Sueli mora no Quilombo do Campinho da Independência. Foi no local que aprendeu a cestaria -- a arte e a técnica de trançar fibras vegetais para criar objetos decorativos -- com uma prima, quando tinha 26 anos.  

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Sueli Martins Mariano trança fibras de folha de taboa e cria várias peças decorativas no Centro Histórico de Paraty
Sueli Martins Mariano trança fibras de folha de taboa e cria várias peças decorativas no Centro Histórico de Paraty
Foto: Marcela Coelho/Redação Terra

"A maioria das mulheres fazem artesanato no Quilombo. Eu aprendi com uma prima a fazer um tapete. Depois, eu fui criando. Comecei a fazer cestas, galinhas, garrafas, chapéus, chinelos, bolsas, e por aí foi", lembra a artesã ao Terra.

Ela conta que buscou atuar em outras funções ao longo da vida, mas era pela cestaria que o coração batia mais forte. "Até tentei trabalhar de cozinheira, camareira, mas o artesanato estava no meu sangue, estava na veia. Aí eu desisti e resolvi trabalhar para mim mesma."

Além de fazer os itens com a fibra de folha de taboa, ela produz peças de crochê, com barbante
Foto: Marcela Coelho/Redação Terra

Mãe de quatro filhos, hoje já adultos e casados, a paratiense recorda que começou a vender as peças batendo de porta em porta na cidade, até conseguir um espaço seu nas ruas do Centro Histórico.

"Foi uma luta danada. Com quatro crianças, muitas vezes, eu era impedida pelos fiscais de vender. Até que teve um prefeito abençoado, que hoje virou estrelinha, que me deu o alvará para eu trabalhar, para vender. A partir disso, eu comecei a trabalhar no Centro Histórico e nunca mais saí", afirma.

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Vários turistas que passam pelo local param para observar a arte, assim como para comprar as peças
Foto: Marcela Coelho/Redação Terra

Além de fazer os itens com a fibra de folha de taboa, um material natural, sustentável e resistente extraído de uma planta aquática, ela produz peças de crochê com barbante. Geralmente, Sueli inicia a produção dos objetos em casa e faz o acabamento na sua mesa na Rua do Comércio. Vários turistas que passam pelo local param para observar a arte, assim como para comprar as peças, que têm preços conforme o tempo de dedicação exigido em cada uma.

"O artesanato é a minha paixão, é tudo, é o meu sustento, é minha alegria. É um sonho realizado", destaca a artesã, com os olhos brilhando pela profissão que escolheu.

*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Fonte: Portal Terra
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