O Brasil e o mundo do esporte se despediram na última sexta-feira (17) de Oscar Schmidt, o ídolo do basquete nacional, aos 68 anos. O ex-jogador, que faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, encerra uma trajetória marcada ainda por uma batalha de quinze anos contra um tumor cerebral. A notícia comoveu fãs e atletas, trazendo à tona a discussão sobre a complexidade do diagnóstico e dos cuidados com o sistema nervoso central.
A condição de Oscar Schmidt
Segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia, o câncer no cérebro abrange diferentes tipos de tumores que exigem cuidados específicos. Entre os casos primários, os gliomas são os mais frequentes. Eles surgem nas células que protegem os neurônios. A agressividade desses tumores define se o tratamento envolverá cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Além disso, o tempo do diagnóstico influencia diretamente o tipo de intervenção escolhida.
Entretanto, a identificação precoce ainda é o maior desafio para os médicos devido aos sintomas inespecíficos. Sinais como dores de cabeça persistentes, convulsões e alterações motoras podem ser confundidos com outras doenças comuns. Por isso, o radio-oncologista Gustavo Nader Marta, ex-presidente da SBRT, alerta que a ocorrência de perda de força ou crises convulsivas, juntamente com esses sintomas, devem sempre acender um sinal de alerta para a possibilidade de um tumor cerebral.
Quando ocorre a descoberta cedo, então, a radioterapia exerce um papel fundamental no controle da doença e no alívio de sintomas. De acordo com o profissional, a técnica ajuda diretamente a devolver bem-estar ao paciente. "A abordagem contribui para o controle da doença, alívio dos sintomas neurológicos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Principalmente quando a cirurgia não é uma opção viável e de forma complementar a cirurgia em algumas situações", esclarece.
Já nos casos de metástases cerebrais, quando o câncer se espalha para o cérebro a partir de outros órgãos, o tratamento precisa ser individualizado. Para lesões pequenas, a técnica de radiocirurgia é a mais indicada por ser precisa e preservar o tecido saudável ao redor da área afetada. "Quando as metástases são pequenas, especialmente com até 3 cm, a melhor técnica é a radiocirurgia estereotáxica", afirma.
Cura e qualidade de vida
Apesar dos avanços tecnológicos, a cura definitiva para alguns tipos de tumores cerebrais permanece difícil. O radio-oncologista Eduardo Weltman, que também presidiu a SBRT, detalha as limitações atuais. "Embora alguns desses tumores respondam bem à radioterapia e à quimioterapia, esta resposta frequentemente não leva à cura dos pacientes. E uma vez não curados, a progressão desses tumores, comprimindo e infiltrando estruturas nobres, pode acabar sendo fatal", explica o especialista.
O uso de tecnologias modernas tem permitido maior precisão no tratamento, reduzindo efeitos colaterais. O objetivo final, então, é interromper o avanço do tumor e manter a funcionalidade do paciente. Especialistas ainda ressaltam que o planejamento envolve exames rigorosos para definir o volume exato da radiação. A meta é garantir que o paciente viva com a melhor qualidade de vida possível diante do quadro.
*Texto feito com informações da SENSU Consultoria de Comunicação