A programação da Caminhada de Ogum começa neste domingo (12), em Paulista, e se estende ao longo de todo o mês de abril com atividades formativas, culturais e de mobilização social. Realizada pelo terreiro e Ponto de Cultura Ilê Asé Omo Ogundê, a iniciativa, reconhecida pelo tradicional cortejo em homenagem ao orixá Ogum, reúne oficinas de dança dos orixás e percussão afro-brasileira nos dias 12, 15 e 22, além de roda de diálogo e distribuição de feijoada no dia 23, data associada a Ogum pelo sincretismo com São Jorge.
A programação culmina no dia 26, com a caminhada pelas ruas da cidade e um samba em celebração ao orixá, ligado aos caminhos, à tecnologia e à coragem.
Idealizada pelo Bàbálorixá Hypolito de Ogum, sacerdote do terreiro de tradição nagô Ilê Asé Omo Ogundê, em conjunto com o Bàbákekerê Dácio de Oxalá Tàlàbí, a iniciativa surgiu com o propósito de homenagear o orixá patrono da casa e afirmar a presença das religiões de matriz africana no espaço público.
"A Caminhada de Ogum nasce de um lugar de fé, mas também da necessidade de ocupar a rua, de mostrar que a nossa religião existe, resiste e tem direito de estar presente nos espaços da cidade. Ao longo dos anos, ela foi crescendo junto com a comunidade, e hoje esse crescimento se reflete nessa ampliação da programação. As oficinas, a roda de diálogos e o samba fortalecem ainda mais esse encontro, porque não é só caminhar, é também compartilhar saber, cultura e vivência. É um movimento de resistência, mas também de construção coletiva", afirma.
Voltadas para crianças a partir de 6 anos, adolescentes e adultos, as oficinas começam neste domingo (12), às 14h, e seguem nos dias 15 e 22 de abril, às 19h, na sede do Ilê Asé Omo Ogundê (Tv. Joaquim Távora, 797, Centro de Paulista). Com carga horária total de 15 horas, as atividades são gratuitas, não exigem experiência prévia e oferecem certificado para participantes com frequência mínima de 75%. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas online, por meio do link disponível no Instagram @ileaseomoogunde_.
A oficina de percussão afro-brasileira será conduzida pelo músico e educador social Natalício Sales e propõe uma vivência prática com ritmos como afoxé, maracatu e toques de orixás, utilizando instrumentos como atabaques, agbês, xequerês e alfaias. Já a oficina de dança dos orixás, ministrada pela mestra em dança afro-brasileira Ana Paula Santana, trabalha movimentos, símbolos e arquétipos de orixás como Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxum, Iansã e Iemanjá, combinando prática corporal e contextualização histórica.
Os participantes que realizarem ambas as oficinas poderão integrar o cortejo da Caminhada de Ogum, sendo que os alunos da dança participarão diretamente do Balé de Ogum.
RODA DE DIÁLOGO - Além da formação, as oficinas também funcionam como preparação para a Caminhada de Ogum, incentivando a participação direta do público no cortejo. A programação segue no dia 23 de abril com a roda de diálogo "Racismo Religioso: Reconhecer, Nomear, Denunciar", reunindo lideranças religiosas, filhos e filhas de santo, babalorixás, ialorixás e comunidades de terreiro de Paulista e cidades vizinhas, em um espaço de escuta, troca e fortalecimento coletivo.
O encontro contará com a participação da professora Dra. Tereza Luiza de França, da advogada criminalista Tatiane Pereira, da professora Débora Nascimento e da advogada, historiadora e professora universitária Juliane Lima, e tem como objetivo informar sobre canais de denúncia, proteção jurídica e estratégias de enfrentamento ao racismo religioso. No mesmo dia, será oferecida feijoada ao público, a partir das 12h, no Ilê Asé Omo Ogundê.
CORTEJO - O ponto alto acontece no dia 26 de abril, com a tradicional Caminhada de Ogum. O cortejo sairá da Praça do Casarão, percorrendo ruas da cidade até o Ilê Asé Omo Ogundê, reunindo comunidades de terreiro, grupos culturais e admiradores das tradições afro-brasileiras em um ato público de fé, resistência e afirmação da liberdade religiosa.
Durante o percurso, o público acompanhará apresentações culturais como o Balé de Ogum, conduzido por Ana Paula Santana e a participação do Maracatu Encanto do Pina. Na chegada ao Ilê, a recepção ficará por conta do Afoxé Povo de Ogunté, seguida pelo Samba para Ogum, com apresentações de Mari's do Samba e Layde do Banjo, que recebe como convidada especial a cantora Karynna Spinelli. O momento também contará com a distribuição de feijoada para o público.
ILÊ ASÉ OMO OGUNDÊ - É um terreiro de tradição nagô, conduzido pelo Bàbálorixá Hypolito de Ogum, localizado no Centro do município de Paulista, Pernambuco. Fundado em 2003, o espaço se constitui como um território de resistência, preservação e difusão das culturas de matriz africana, atuando nas tradições do Candomblé Nagô e da Jurema Sagrada. Ao longo de sua trajetória, consolida-se também como espaço de cultura e educação popular, por meio de ações formativas, artísticas e comunitárias. Em 2025, esse reconhecimento é oficialmente instituído, reafirmando seu compromisso com o fortalecimento dos saberes e práticas tradicionais.
A iniciativa tem incentivo do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e do Funcultura, e conta com o apoio da Prefeitura do Paulista. O projeto tem como foco o combate ao racismo religioso e a valorização das expressões culturais afro-brasileiras.