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Bruno Gagliasso revela como o TDAH impacta sua vida desde a infância: 'Fui expulso de três escolas'

Bruno Gagliasso relembrou o diagnóstico precoce de TDAH e contou como a condição impactou sua infância, os estudos, a carreira e até sua forma de atuar

24 mai 2026 - 21h21

Ao compartilhar um vídeo contando que esqueceu a roupa e o tênis antes de um treino, Bruno Gagliasso acabou abrindo uma conversa muito maior sobre saúde mental e os impactos do TDAH ao longo da vida. Aos 44 anos, o ator falou publicamente sobre o diagnóstico que recebeu ainda na infância e refletiu sobre como a condição influenciou sua trajetória - tanto de formas difíceis quanto positivas.

Aos 44 anos, Bruno Gagliasso falou sobre viver com TDAH desde a infância e revelou como o transtorno influenciou sua vida e carreira
Aos 44 anos, Bruno Gagliasso falou sobre viver com TDAH desde a infância e revelou como o transtorno influenciou sua vida e carreira
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Pai de Titi, Bless e Zyan, Bruno revelou que sempre soube do diagnóstico. Desde pequeno, apresentava hiperatividade intensa, dificuldade de adaptação escolar e problemas para manter a atenção em tarefas que não despertavam interesse genuíno. "Eu sempre tive, eu sempre soube […] Eu era uma criança hiperativa, uma criança levada, não parava em escola nenhuma", contou durante entrevista ao programa 'Papo vai, papo vem', de O Globo.

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Quando o TDAH confundia-se com "mau comportamento"

O ator explicou que recebeu o diagnóstico muito cedo e conviveu, além do TDAH, com dislexia e disritmia. Ainda assim, ele relembra que, durante muitos anos, suas dificuldades foram interpretadas apenas como indisciplina. "Eu fui diagnosticado muito cedo, sempre tomei remédio pra TDAH, disritmia, dislexia... Só que atrapalhou na escola, por exemplo. Eu fui expulso de três escolas."

Segundo Bruno, ele passou por diferentes colégios sem conseguir se encaixar completamente nos modelos tradicionais de ensino. A experiência evidencia uma realidade enfrentada por muitas crianças neurodivergentes, especialmente em épocas em que o debate sobre transtornos de aprendizagem e atenção ainda era limitado.

Em vez de acolhimento ou adaptação, muitas crianças com TDAH cresceram ouvindo que eram "bagunceiras", "desinteressadas" ou "difíceis". No caso do ator, isso impactou diretamente sua relação com a escola e com os estudos.

A dificuldade de manter atenção no que não desperta interesse

Bruno também explicou que uma das características mais marcantes do TDAH em sua vida sempre foi a dificuldade de sustentar foco em atividades pelas quais não sente conexão emocional. "Eu não consigo ler um texto que não me interessa. Por isso, eu não posso aceitar papéis que eu, lendo, fale: 'não quero fazer'."

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A fala ajuda a desconstruir uma ideia muito comum sobre o transtorno: pessoas com TDAH não necessariamente têm ausência de atenção, mas sim dificuldade em regular o foco. Em muitos casos, o cérebro responde intensamente a estímulos que despertam paixão, curiosidade ou desafio - enquanto tarefas consideradas "obrigatórias" podem se tornar extremamente difíceis de sustentar.

Bruno contou que isso influenciou até mesmo suas escolhas profissionais. Segundo ele, só consegue mergulhar verdadeiramente em personagens com os quais cria identificação emocional. "Mesmo que eu ganhe uma fortuna, mesmo que seja, sei lá, Hollywood, não adianta. Você não consegue colocar sua atenção. Eu não vou fazer com tesão, não vou fazer com amor."

O TDAH também moldou sua forma de atuar

Se por um lado o transtorno trouxe dificuldades na escola e na organização do cotidiano, por outro, Bruno acredita que também influenciou positivamente sua construção artística.

O ator revelou que nunca decorou textos de maneira tradicional. Em vez disso, prefere compreender profundamente as emoções e intenções das cenas antes de memorizar falas. "Eu não decoro um texto, por exemplo. Eu entendo, estudo, trabalho... Entendo esse sentido."

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Para ele, atuar está muito mais ligado à conexão emocional do que à repetição mecânica das palavras. "O que adianta você falar uma palavra sem alma? O que adianta você falar uma palavra sem sentido?"

Essa forma intuitiva de interpretar personagens acabou se tornando uma ferramenta importante em sua carreira. Ao entender como sua mente funciona, Bruno aprendeu a transformar características que antes eram vistas como "problema" em parte do próprio processo criativo.

Entre esquecimentos, intensidade e autoconhecimento

Recentemente, ao relatar nas redes sociais que esqueceu novamente os itens para o treino, Bruno decidiu tratar a situação com leveza - mas também como uma oportunidade de conscientização. "Essa é a segunda vez que eu venho [treinar] sem roupa, mas sem tênis foi a primeira", brincou.

O episódio simples acabou gerando identificação entre milhares de pessoas diagnosticadas com TDAH, que convivem diariamente com esquecimentos, distrações, hiperfoco e oscilações de atenção. Ao falar sobre o tema de forma aberta, Bruno Gagliasso ajuda a ampliar a compreensão sobre o transtorno e mostra que o TDAH não define limitações absolutas, mas sim diferentes maneiras de perceber, aprender e se relacionar com o mundo.

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