O desfile de Helô Rocha, assinado em parceria com Camila Pedroza, nem havia começado e já indicava o que viria. A trilha ao vivo com a violinista Ster, que transforma músicas populares — como funk e pop — em peças clássicas, deu o tom extrovertido à apresentação. Na passarela, peças estruturadas a partir de corsets transformavam as modelos em sereias, deusas e figuras míticas.
Looks trabalhados com volumes, texturas e bordados que levam dias para serem finalizados revelavam, ora, um pouco de pele, ora formas quase arquitetônicas, a partir de tecidos leves como sedas, organzas, tafetás e rendas, que se misturavam a outros vintage, como lençóis e toalhas, criando peças únicas e exclusivas. Tons claros, um pouco acima do branco, envelhecidos tingiam as roupas.
Dos corsets surgiam formas mais soltas e leves, algumas balonês, ou mais encorpadas, como o look que pode ser de noiva com saia estruturada com tecidos sobrepostos e top cropped. Não faltaram ainda ternos oversized e vestidos tipo slip dress, tendências atuais, mas reescritas pelo olhar de Helô e Camila. Joias vintage pontuaram o desfile, reconstruídas e integradas ao rigoroso bordado, desenvolvido por artesãs de Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte, que, na verdade, eram protagonistas da coleção.