Num momento em que as passarelas mundiais estão cada vez mais apostando em modelos magérrimas e a sociedade, em geral, aceita as canetas emagrecedoras como o "novo necessário", a estilista catarinense Karoline Vitto, após desfilar por quatro anos em Londres, com uma passagem por Milão, traz sua moda inclusiva, com modelos plus size na passarela — sem vergonha de mostrar as curvas femininas.
A lógica de criação da estilista é inversamente proporcional ao que a indústria da moda sempre mostrou. "Aqui, não é o corpo que deve se adequar à roupa, e sim o contrário", publicou em seu material de divulgação. Para essa primeira apresentação no Brasil, Karoline mostrou a coleção Sunburn, reunindo peças-ícone dos últimos cinco anos da marca, como a calça boyfriend com alças e a saia Barely There, agora adaptadas ao estilo brasileiro e carioca.
A moda praia veio ainda com detalhes que nunca faltaram em suas criações, como recortes e metais aplicados de forma estratégica, sobre maiôs e biquínis. Para um caimento leve e perfeito em corpos curvilíneos, apostou em malhas fluidas, com drapeados sensuais, trabalhados com metais curvos, moldados no próprio corpo. Um desfile necessário: afinal, se durante a pandemia a diversidade começou a dar as caras no mundo fashion, os números atuais mostram um retrocesso e tanto.
Pesquisa da Vogue Business mostrou que cerca de 97% dos looks nas semanas de moda internacionais foram apresentados por modelos muito magras (tamanhos 32 a 36), indicando uma redução drástica na diversidade de corpos. Os tamanhos médios (38 a 42) caíram para apenas 2%, e modelos plus size (44 ou mais) representaram somente 0,9%.