Ricardo Almeida é o responsável pela criação das roupas para a apresentação dos jogadores e da comissão técnica da Seleção Brasileira de Futebol, na Copa do Mundo 2026. O estilista é referência em alfaiataria no Brasil e, dessa vez, criou os looks, ao lado da marca RA2, conduzida por ele ao lado dos filhos, Ricardinho e Arthur, e por Gabriel Pascolato, sobrinho-neto de Costanza Pascolato.
A chegada dos jovens na criação dos trajes oficiais da Seleção trouxe um frescor à alfataria, que podia ser bem sisuda para ocasiões formais. Mas não é isso o que acontece. As peças de lã fria, em tons de petróleo leve (pelos croquis, lembram até tonalidade muito vistas em jeans), dialogam com os dias atuais e com os anseios da Geração Z, ao qual a maioria dos jogadores pertence, trazendo uma atualização estética à marca Ricardo Almeida, há mais de 40 anos no mercado, mas que sempre esteve antenado aos anseios de cada momento. Foi um dos primeiros a criar blazers e calças mais ajustadas para o público masculino brasileiro.
O próprio Ricardo explica nas redes sociais. "Para os jogadores, a alfaiataria avança em linguagem e proporção. Com a junção da linha RA2, nasce o equilíbrio entre rigor técnico e novas proporções, em uma construção mais fluida e contemporânea". Sim, a roupa dos jogadores traz calça de modelagem mais larga, camiseta e, por cima, ao invés de blazer, uma camisa/jaqueta mais larga e confortável, de corte reto.
Para a comissão, o costume masculino vêm mais formal, com dois botões, reafirmando a tradição de alfaiataria em uma tonalidade pensada para comunicar sobriedade e autoridade com modernidade. "Quando a Seleção se apresenta, a forma também representa", afirmou a marca nas redes sociais.
Já para as integrantes femininas da comissão técnica, Ricardo Almeida e os rapazes da RA2 entram na tendência da alfaiataria para as mulheres, bem ao estilo do chamado corpcore. "Na proposta feminina, o costume clássico sob medida, em lã fria italiana no tom petróleo suave, traduz equilíbrio entre estrutura e delicadeza contemporânea", explicou a marca. Veja que, dentro da trend de moda de escritório, o estilista não deixou de fora a gravata, elemento que não aparece, pelo menos por enquanto, no croqui do look dos jogadores, com modelagem bem mais solta e esportiva.
Do exótico ao território de desejo
Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a iniciativa ultrapassa a dimensão institucional. "O Brasil deixou de ser apenas um cenário exótico para se tornar um território estratégico de desejo. Quando uma marca escolhe um país para protagonizar sua narrativa em um palco global, ela não busca apenas visibilidade, mas protagonismo simbólico", analisou.
Segundo ela, grandes eventos esportivos operam como plataformas privilegiadas de construção de imagem para marcas de alto padrão. "O país carrega exatamente o que o luxo contemporâneo procura: contraste, transformação e emoção. É isso que gera conexão real com novas audiências", afirma.
Ao eleger a alfaiataria como linguagem da delegação, a marca investe em códigos de elegância, precisão técnica e identidade. "Performance, hoje, precisa de narrativa", pontua Tamara, ao destacar que, no universo do luxo, produto e construção simbólica caminham juntos.
Para a especialista, movimentos como esse indicam uma mudança estrutural no setor. "O futuro do luxo será definido por territórios culturais em ascensão. As marcas que entenderem isso antes ocuparão o centro da relevância global", conclui.
Ao vestir a Seleção em compromissos oficiais da Copa de 2026, Ricardo Almeida transforma o futebol em palco de imagem, cultura e posicionamento, dialogando tanto com a editoria de moda quanto com o mercado de branding e publicidade.