Os primeiros 30 dias de amamentação costumam trazer uma série de dúvidas para as mães, que, junto aos bebês, ainda estão se adaptando à nova rotina. No Agosto Dourado e na Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, a atenção se volta aos desafios do período e às formas de tornar essa experiência mais leve e tranquila.
Em entrevista à Bons Fluidos, a ginecologista e consultora da Lansinoh, Luiza Drummond, aponta essas principais dificuldades e ressalta que informação e rede de apoio fazem toda a diferença para enfrentar o começo dessa jornada.
"Existe uma expectativa de que a amamentação aconteça de forma espontânea, mas isso nem sempre corresponde à realidade. A mulher também precisa de acolhimento, orientação e apoio. Quando ela é cuidada, aumenta a chance de viver uma experiência mais tranquila e de manter o aleitamento pelo tempo recomendado", afirma.
O começo pode trazer dúvidas
De acordo com a especialista, uma das principais inseguranças surge quando a mãe não sabe se o bebê está mamando o suficiente. O choro, porém, não indica necessariamente fome. Para acompanhar a evolução do aleitamento, o ganho de peso e as consultas regulares com o pediatra oferecem referências mais confiáveis.
Além disso, as próprias mamas passam por mudanças durante a adaptação. Quando há grande acúmulo de leite, elas podem ficar endurecidas e doloridas. Nesses casos, então, oferecer o peito ao bebê sempre que ele demonstrar fome pode ajudar a esvaziar as mamas e aliviar o desconforto. A extração do leite com bomba também pode ser uma alternativa para retirar o excesso.
Pequenos ajustes podem mudar a experiência
Outro ponto importante envolve a forma como o bebê pega a mama. Isso porque a posição inadequada pode provocar desconforto e favorecer o aparecimento de fissuras. "Pequenos ajustes na posição e na forma como ele abocanha a mama costumam fazer uma grande diferença", afirma Luiza.
As fissuras, inclusive, estão entre as queixas frequentes das primeiras semanas e tender a tornar as mamadas mais difíceis emocionalmente. A dor e o receio de sentir novamente o incômodo podem aumentar a ansiedade da mãe e, em alguns casos, fazer com que ela pense em interromper o aleitamento antes do planejado.
Para contribuir com a recuperação, a especialista recomenda manter a pele protegida e hidratada. Produtos à base de lanolina ajudam a formar uma barreira protetora, favorecem a recuperação e proporcionam mais conforto. Ademais, a mãe não precisa retirar o produto antes de oferecer o peito novamente, o que torna os cuidados do dia a dia mais práticos.
Quando é hora de pedir ajuda?
A médica ressalta que esses incômodos e certa sensibilidade podem acompanhar a adaptação. Entretanto, quando o desconforto se torna intenso ou persiste, vale buscar orientação para identificar a causa e evitar que a dificuldade se prolongue. Entre os sinais que merecem atenção, estão:
- Dor intensa durante as mamadas;
- Fissuras que não melhoram;
- Vermelhidão, febre ou mamas endurecidas;
- Dificuldade frequente para o bebê realizar a pega;
- Dúvidas relacionadas ao ganho de peso ou à alimentação.
"A amamentação é um aprendizado para a mãe e para o bebê. É esperado que exista um período de adaptação, mas dor intensa, lesões nos mamilos ou dificuldade constante para o bebê mamar não são situações que a mulher precisa suportar. Quanto antes ela buscar orientação, mais rapidamente essas dificuldades podem ser resolvidas", conclui a ginecologista.