OMS indica 6 medidas que podem salvar 1,6 milhão de vidas por ano

Novo relatório da Organização Mundial da Saúde mostra como ações contra as mudanças climáticas podem prevenir mortes, diminuir a poluição e gerar benefícios econômicos bilionários

5 nov 2026 - 16h08
Resumo
Um novo relatório da OMS revela que a adoção de seis medidas climáticas e sanitárias pode salvar 1,6 milhão de vidas anualmente e cortar 31% das emissões globais de gases de efeito estufa. As ações incluem alertas para ondas de calor, transição energética e acesso à água, saneamento e higiene. Além dos ganhos ambientais, a iniciativa promete forte impacto econômico, gerando trilhões de dólares em benefícios fiscais e de bem-estar, com retorno médio de 24 dólares para cada dólar investido.

Combater as mudanças climáticas pode trazer resultados que vão muito além da preservação ambiental. Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado na quarta-feira (4), aponta que a adoção de seis medidas voltadas à proteção da saúde e à redução dos impactos climáticos poderia evitar aproximadamente 1,6 milhão de mortes por ano em todo o planeta.

OMS aponta 6 medidas contra as mudanças climáticas que podem evitar 1,6 milhão de mortes por ano e gerar trilhões em benefícios econômicos
OMS aponta 6 medidas contra as mudanças climáticas que podem evitar 1,6 milhão de mortes por ano e gerar trilhões em benefícios econômicos
Foto: Reprodução: Canva/atlasstudio / Bons Fluidos

O documento foi apresentado às vésperas da COP31, conferência internacional que reúne representantes de diferentes países para discutir estratégias de enfrentamento do aquecimento global.

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Além de preservar vidas, as iniciativas poderiam contribuir para uma redução expressiva da poluição. Segundo as projeções, seria possível evitar a emissão de 16,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), quantidade equivalente a aproximadamente 31% das emissões globais anuais de gases de efeito estufa, desconsiderando aquelas relacionadas ao uso da terra e às florestas.

Os efeitos positivos também seriam sentidos na economia. A OMS calcula que os benefícios anuais associados ao bem-estar da população poderiam chegar a US$ 3,9 trilhões, aproximadamente R$ 21,4 trilhões. Já os ganhos fiscais poderiam alcançar US$ 5,4 trilhões, cerca de R$ 29,7 trilhões.

Quais são as 6 medidas recomendadas pela OMS?

As propostas apresentadas pela organização envolvem desde melhorias no acesso a serviços básicos até mudanças na maneira como a energia é utilizada. O objetivo é reduzir a exposição da população aos riscos ambientais e prevenir doenças relacionadas às alterações do clima. Confira as seis ações consideradas prioritárias:

1. Criar sistemas de alerta para ondas de calor

As temperaturas extremas representam um risco especialmente elevado para idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. Por isso, a OMS recomenda ampliar sistemas capazes de identificar períodos de calor intenso e avisar antecipadamente a população e os serviços de saúde.

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Esses mecanismos permitem que autoridades adotem medidas preventivas, como orientar sobre hidratação, disponibilizar espaços de resfriamento e reforçar o atendimento a grupos vulneráveis. Entre todas as iniciativas analisadas, essa apresenta uma das melhores relações entre investimento e retorno. Segundo o relatório, cada dólar aplicado em sistemas de alerta para o calor poderia gerar até US$ 835 em benefícios.

2. Garantir o acesso à água potável

Secas prolongadas, enchentes e outros eventos climáticos extremos podem comprometer o abastecimento de água e aumentar o risco de doenças. A proposta é fortalecer os sistemas de distribuição e tratamento para que continuem funcionando mesmo diante de condições ambientais adversas. Além de proteger a saúde, o acesso à água segura ajuda a prevenir infecções e reduz a vulnerabilidade de comunidades que já enfrentam dificuldades de infraestrutura.

3. Melhorar os serviços de saneamento básico

A ausência de coleta e tratamento adequado de esgoto favorece a transmissão de doenças e a contaminação do solo e da água. Com o aumento da frequência de chuvas intensas e inundações em algumas regiões, esses problemas podem se agravar. A OMS defende investimentos em estruturas de saneamento mais resistentes aos efeitos das mudanças climáticas, contribuindo para reduzir a exposição da população a agentes infecciosos.

4. Ampliar o acesso a condições adequadas de higiene

Lavar as mãos com água e sabão é uma medida simples, mas fundamental para prevenir diversas doenças infecciosas. Entretanto, milhões de pessoas ainda vivem sem acesso adequado a instalações que permitam manter esse hábito. A recomendação envolve expandir a disponibilidade de água, sabão e estruturas de higiene, especialmente em comunidades vulneráveis, escolas e unidades de saúde.

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5. Incentivar o uso de combustíveis domésticos menos poluentes

Em diferentes regiões do mundo, famílias ainda dependem da queima de lenha, carvão e outros combustíveis poluentes para preparar alimentos ou aquecer suas casas. Essa prática pode liberar substâncias prejudiciais à saúde, aumentando a exposição à poluição do ar dentro das residências. A substituição por tecnologias e fontes de energia mais limpas ajudaria a diminuir problemas respiratórios e cardiovasculares, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

6. Adotar políticas que desestimulem combustíveis fósseis

A última recomendação está relacionada à maneira como combustíveis como petróleo, carvão mineral e gás natural são precificados. A OMS destaca a importância de políticas econômicas que considerem os impactos ambientais e sanitários associados ao consumo dessas fontes de energia. Medidas como a revisão de subsídios e a adoção de mecanismos de precificação da poluição podem incentivar alternativas menos poluentes, reduzir emissões e contribuir para a melhoria da qualidade do ar.

Investir na saúde e no clima também pode beneficiar a economia

Um dos pontos mais importantes do relatório é que as medidas propostas não representam apenas custos para os governos. Pelo contrário, os investimentos podem gerar retornos econômicos expressivos. De acordo com a OMS, em cinco das seis intervenções avaliadas, cada US$ 1 investido poderia proporcionar aproximadamente US$ 24 em benefícios. Esses ganhos estão relacionados, entre outros fatores, à prevenção de doenças, à redução de mortes prematuras e à diminuição dos impactos econômicos provocados por problemas de saúde.

Os resultados podem ser especialmente relevantes em países de baixa e média renda, onde parte da população enfrenta maiores dificuldades de acesso a serviços essenciais e está mais exposta aos efeitos das mudanças climáticas. Dessa maneira, ampliar os investimentos nessas áreas também pode ajudar a reduzir desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida.

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Mudanças climáticas também são uma questão de saúde pública

Embora o aquecimento global seja frequentemente associado ao derretimento de geleiras, ao aumento do nível do mar e à perda de biodiversidade, seus efeitos sobre a saúde humana são igualmente preocupantes.

Ondas de calor, enchentes, períodos de seca e piora da qualidade do ar podem favorecer o desenvolvimento de doenças, comprometer o abastecimento de alimentos e água e sobrecarregar os sistemas de saúde. Por isso, a OMS reforça que enfrentar a crise climática também significa investir na prevenção de problemas de saúde.

É importante destacar, entretanto, que os números apresentados no relatório são projeções, e não resultados já alcançados. As estimativas consideram cenários de implementação ampla das medidas entre 2024 e 2075, além de envolverem incertezas relacionadas aos efeitos de longo prazo. Ainda assim, a análise evidencia que ações relativamente acessíveis, quando aplicadas em grande escala, podem produzir benefícios importantes para a população.

A principal mensagem do documento é que proteger o meio ambiente e cuidar da saúde não são objetivos separados. Ao investir em água potável, saneamento, energia limpa e prevenção de riscos climáticos, os países também podem construir sociedades mais saudáveis, resilientes e preparadas para o futuro.

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