Jovens brasileiros estão mais preocupados com mudanças climáticas do que a média global; entenda

Pesquisa feita em 21 países mostra que eles entendem importância de ter 'competências verdes' para o sucesso profissional, mas não sabem como adquiri-las

5 mai 2026 - 20h11

A preocupação com as mudanças climáticas é comum entre jovens no mundo todo e é ainda maior no Brasil, aponta novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) feito em conjunto com a consultoria Capgemini.

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De acordo com o levantamento, 75% dos jovens brasileiros estão preocupados com as formas com que as mudanças climáticas podem afetar o futuro e 66% concordam que desenvolver habilidades sustentáveis (green skills) abrirá novas oportunidades de emprego.

Em ambos os casos, as médias brasileiras estão acima das globais. Entre todos os que responderam à pesquisa, 67% acreditam que há tempo para evitar os piores efeitos do aquecimento global e 61% disseram que desenvolver competências climáticas levará a uma maior chance de carreira profissional.

A pesquisa "Futuro dos jovens no clima - preparando para um futuro sustentável" ouviu 5.100 jovens com idades entre 16 e 24 anos em 21 países: Brasil, Índia, México, China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Austrália, Japão, Polônia, África do Sul, Nigéria, Bangladesh, Egito, Etiópia, Quênia, Paquistão, Tailândia, Indonésia e Turquia e 83% dos entrevistados são de países considerados do Sul Global, que estão em desenvolvimento.

"As novas gerações estão desproporcionalmente expostas aos riscos da crise climática - pela sua fisiologia, mas também por questões sociais e de comportamento. Além, claro, de que os mais jovens, por definição, vão lidar com os impactos da mudança do clima por mais tempo", diz Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil.

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Incêndio no Pantanal, em Mato Groso do Sul; preocupação com mudanças climáticas é comum entre jovens no mundo todo e é ainda maior no Brasil.
Incêndio no Pantanal, em Mato Groso do Sul; preocupação com mudanças climáticas é comum entre jovens no mundo todo e é ainda maior no Brasil.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

"Adolescentes e jovens se aproximando do momento da transição para o mundo do trabalho têm que considerar que construirão suas carreiras em um mundo em acelerada transformação, que pode tornar obsoletos conhecimentos que eram valiosos no passado e demandar novas competências e habilidades - e governos e o setor privado precisam levar isso em consideração também", alerta Moura.

O estudo também relatou percepções sobre o combate ao aquecimento global. Para 72% do total de entrevistados e 76% dos jovens brasileiros, ainda há tempo para remediar os problemas causados pelas mudanças climáticas. No entanto, 73% dos respondentes do Brasil acham que os líderes políticos não estão fazendo o suficiente para lidar com o tema, e 76% têm essa visão sobre os líderes empresariais.

"As mudanças climáticas afetam cadeias globais de suprimento, aumentam a escassez de recursos e ampliam tensões sociais e econômicas. Por isso, a agenda climática deixou de ser um tema isolado e passou a ser estrutural. A resposta mais eficaz é integrar essas agendas, por exemplo, por meio de políticas de geração de empregos verdes, requalificação profissional e investimentos sustentáveis que respondam simultaneamente aos desafios sociais, econômicos e ambientais", afirma Emanuel Queiroz, vice-presidente de Sustentabilidade da Capgemini Brasil.

Emprego em meio às mudanças no clima

Além de acreditar que ter "habilidades verdes" será importante para construir boas carreiras, 68% dos entrevistados se dizem interessados em "empregos verdes" (a média global é de 53%).

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"Do ponto de vista empresarial, ignorar essa mobilização significa perder competitividade, talentos e relevância. Atender a esse chamado, por outro lado, abre espaço para inovação, crescimento e maior confiança social", projeta Queiroz. É importante notar que essas habilidades se referem não apenas a conhecimentos técnicos, mas também a comportamentos e questões sociais.

Entre as habilidades verdes mencionadas, estão algumas como reciclagem e redução da geração de resíduos, análise de dados, hábitos de consumo ecológicos, preservação de água e energia e adoção de práticas sustentáveis para transporte, agricultura, entre outros aspectos.

Entre os jovens brasileiros, 59% disseram considerar que têm as habilidades verdes necessárias para ser bem sucedido no mercado de trabalho atual, o porcentual mais alto do Sul Global e atrás apenas de Polônia, Austrália e Reino Unido no geral.

"A diversidade ambiental do Brasil, seus biomas, climas e realidades regionais, podem ser uma vantagem competitiva. Jovens em áreas urbanas podem buscar capacitação em tecnologia e inovação verde; em regiões rurais, práticas de agroecologia e conservação; em áreas mais secas, soluções ligadas à gestão da água", avalia Queiroz, da Capgemini Brasil.

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No caso das empresas, o caminho para trabalhar as habilidades verdes é investir em programas contínuos de requalificação e aprimoramento, alinhando a sustentabilidade à estratégia do negócio. Ou seja, é necessário oferecer treinamentos internos, certificações, hackathons (maratonas de programação e inovação) e projetos práticos que ajudem a transformar conhecimento em ação. "Essa abordagem fortalece a competitividade, acelera a transição para modelos mais sustentáveis e prepara a força de trabalho para os desafios do futuro", diz Queiroz.

"A transição ecológica oferece oportunidades para o desenvolvimento do País - o Brasil é ou pode ser uma potência em vários dos setores que tendem a crescer nos próximos anos -, mas o sucesso dessa transição depende também de haver pessoas qualificadas para trabalhar nessa 'nova' economia", comenta Moura, do Unicef Brasil.

O relatório conclui que os jovens compreendem a importância crucial das competências verdes para o sucesso profissional e uma vida sustentável, mas não sabem ao certo como adquiri-las. Por isso, a recomendação é que as habilidades sejam integradas ao longo da formação educacional e que os jovens sejam ouvidos, já que terão de lidar com os impactos das mudanças climáticas por mais tempo.

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