Crise hídrica em SP: Por que reservatórios da região estão muito abaixo do volume ideal mesmo com chuvas

Fatores vão desde aquecimento global e contaminação de mananciais, segundo especialista

22 mar 2026 - 04h57
Vista do Reservatório de Guarapiranga, localizado na zona sul da cidade de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 20 de agosto de 2025. O nível dos reservatórios dos sete sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo caiu neste ano. O volume de água armazenado é o menor desde 2015, quando a região sofreu a maior crise hídrica da história.
Vista do Reservatório de Guarapiranga, localizado na zona sul da cidade de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 20 de agosto de 2025. O nível dos reservatórios dos sete sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo caiu neste ano. O volume de água armazenado é o menor desde 2015, quando a região sofreu a maior crise hídrica da história.
Foto: MARCO AMBROSIO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Entre o começo da primavera e o início do verão, um período de seis meses, é quando ocorrem as cheias na região metropolitana de São Paulo. É durante esse tempo que as represas deveriam acumular toda a água necessária para o restante do ano. No entanto, apesar das recentes chuvas registradas, os sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis por abastecer a região, continuam com níveis muito abaixo do ideal. 

No último dia 13, por exemplo, o volume de armazenamento do Sistema Canteira, responsável por aproximadamente 50% da disponibilidade do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), estava em 40,3% - 18,7% abaixo do registrado na mesma data no ano passado, de acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Enquanto isso, SIM registrou 54,7% do volume total. 

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Por isso, Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) decidiu manter a pressão da água reduzida entre às 19h e às 5h para preservar os níveis dos reservatórios que abastecem a região. Mas afinal, porque isso acontece mesmo com as chuvas? Ao Terra, José Roberto Leite, diretor operacional da T&D Sustentável e especialista em gestão hídrica, é o chamado déficit acumulado, quando a estação chuvosa é abaixo da média e isso compromete os níveis de abastecimento. 

“A estação chuvosa de 2025 e 2026 foi fraca demais. Então, se a gente pegar ali de outubro de 2025 a março de 2026, ela ficou aproximadamente 20% abaixo da média histórica na bacia de Cantareira”, aponta. 

“Um outro ponto, como eu falei anteriormente, a chuva, essa percepção que a chuva tem aumentado, ela se dá muito ao fato da chuva estar na região metropolitana. Mas a Cantareira depende principalmente dos rios localizados na divisa com Minas Gerais e na região de Piracicaba, e nessas regiões o índice de chuva segue muito baixo”, complementa. 

Área próxima ao reservatório do rio Jacareí, que faz parte do Sistema Cantareira.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Ou seja, a percepção de que a chuva não está influenciado é porque ela está muito mais focada, centralizada na região metropolitana, conforme explica Leite. 

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Outros fatores

Nível dos Reservatórios no Brasil

Dados atualizados em: 19/03/2026 (Fonte: ONS)

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Representação no Subsistema: -
Volume Útil Atual: 0%
Status: -
 
100% (Cheio)
75%
50%
25%
0% (Vazio)
0%

Nível do Volume Útil

© 2026 Portal de Notícias - Cobertura Especial ONS

Fonte dos dados: ONS - Operador Nacional do Sistema

Outra questão que pode influenciar é o aquecimento global e o desmatamento da floresta amazônica. Ambos os fatores acabam afetando diretamente os rios voadores, chamados de invasores, que são gigantescos fluxos invisíveis que viajam pelo ar e principalmente geram chuva na região centro-oeste e sul-sudeste, causando um período maior de seca. 

Ele observa que, ao longo do tempo, as médias de temperatura vêm subindo e elevam muito o consumo de água, podendo chegar até 60%, dependendo do local. “Então, o aumento da temperatura também influencia muito nesse consumo, o que faz com que a gente, obviamente, acabe consumindo mais água e o nível dos nossos reservatórios não consigam chegar nos patamares que a gente precisava."

Outra situação que o especialista trouxe à tona é que a cidade cresceu e os sistemas são antigos, portanto, a distribuição também é feita de maneira não muito suficiente, o que pode fazer com que se perca água durante o caminho e tenha oscilação espalhada pela rede, fazendo com que bairros inteiros sejam afetados. 

"Então, são ótimas perguntas. Primeiro, o excesso de chuva, apesar de ser contraditório, pode sim atrapalhar a questão do abastecimento, mas em três aspectos principais. Primeiro, na qualidade da água. O excesso de chuva faz com que esse fluxo acabe levando impureza até os reservatórios, dificulta o tratamento da água, faz com que essa água tenha uma qualidade menor, então gera um problema nessa questão dos reservatórios."

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20/10/2025 SISTEMA CANTAREIRA - O Sistema Cantareira fechou setembro no pior nível para o mês desde 2015
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Não é só a pouca chuva que prejudica 

O excesso de chuvas também pode prejudicar o abastecimento dos reservatórios, conforme explica Leite. Não só pelo risco de contaminação dos mananciais com o transbordamento da rede de esgoto, mas também pela falta de energia para operar as bombas que ajudam no transporte da água.

“É um ponto importante a contaminação, além da dificuldade da operação de fato, porque essas chuvas a gente sabe que acabam afetando o sistema elétrico, gerando grandes faltas de energia ao longo dessas tempestades, o que afeta a operação das bombas e acaba atrapalhando no transporte dessa água”, finaliza. 

Fonte: Portal Terra
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