A afirmação de que o camarão pode ser comparado a uma barata circula nas redes sociais há muitos anos. Isso, no entanto, não é verdade. Ao contrário das baratas, que se alimentam de restos de comida espalhados em áreas terrestres, os camarões precisam de água limpa para comer.
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Assim como as baratas, os camarões são detritívoros, ou seja, se alimentam de matéria orgânica. Ambos se encaixam também na classificação de artrópodes, um filo de animais invertebrados com exoesqueleto rígido e pares de apêndices articulados.
Segundo o biólogo Edson Abrão, essa coincidência de classificações da barata e do camarão pode levar a entender que são animais que exercem a mesma função no meio ambiente, mas essa afirmação não é correta. Isso pode dar o entendimento de que são animais similares, mas não é bem assim.
"Devido a essa alimentação bem diversificada, há a comparação, mas não tem equivalência nenhuma, não são baratas do mar. O camarão se alimenta de outros animais em decomposição no mar, assim como de zooplânctons, fitoplânctons e matéria orgânica. Ele exerce um papel importante no ecossistema", explica.
A função do camarão no mar é de extrema importância. Além de se alimentar de matéria orgânica, o fruto do mar também ajuda a diminuir a produção de gases tóxicos causados por animais em decomposição no mar.
"De uma certa forma, ele consegue fazer uma 'filtragem da água'. As baratas não têm esse papel, até porque elas ficam nos esgotos e acabam transmitindo doenças, como tuberculose, pneumonia, entre outras", diz.
O fato é que camarões e baratas apresentam semelhanças evolutivas, já que integram o grupo dos artrópodes. "A semelhança se dá, principalmente, por possuírem exoesqueleto, terem patas articuladas e por serem do mesmo filo", complementa.
O especialista ressalta que o camarão não é prejudicial à saúde e não infesta as áreas urbanas em nível mundial. Já as baratas, de acordo com o biólogo, são consideradas pragas mundiais por causarem esses danos e muito mais.
"Se um dia nosso mundo acabar com bomba atômica, as baratas serão os únicos sobreviventes do mundo. O exoesqueleto delas resiste à energia nuclear, são seres evoluídos. Há estudos científicos que envolvem a análise desse exoesqueleto das baratas", exemplifica.