O Congresso da Argentina aprovou um controverso projeto de lei que autoriza atividades de mineração nos arredores de geleiras e em áreas de permafrost, ou seja, subsolos permanentemente congelados, apesar das críticas de ambientalistas.
Já chancelada pelo Senado em fevereiro, a iniciativa é defendida pelo presidente ultraliberal Javier Milei e recebeu o aval da Câmara dos Deputados por placar de 137 votos a favor e 111 contrários, além de três abstenções, após quase 12 horas de debates.
O texto concede às províncias maior autonomia na definição de áreas protegidas e para autorizar ou proibir atividades de mineração em seus territórios. Com isso, ficará mais fácil obter licenças para extrair metais como cobre, lítio e prata em regiões de geleiras e em zonas congeladas na Cordilheira dos Andes.
Ambientalistas alegam que a reforma enfraquece a proteção de fontes cruciais de água doce e reuniram milhares de pessoas em um protesto na tarde de quarta-feira (8), em frente ao Congresso, em Buenos Aires. "Água é mais importante que ouro", dizia um cartaz na manifestação.
Milei, no entanto, não acredita que a crise climática no planeta seja causada pela ação humana e defende a mudança nas regras para atrair grandes projetos de mineração e estimular a economia, aproveitando a crescente demanda global por matérias-primas como o lítio, elemento essencial para setores de alta tecnologia.
"Os ambientalistas fracassaram, e as agendas de grupos que tentam impedir o progresso encontraram neste governo seu pior inimigo", declarou o presidente nesta quinta-feira (9).