O excesso de turistas ameaça as mais de 4 mil cavernas milenares de Mallorca, cruciais para a ciência e a biodiversidade marinha. Especialistas alertam que o turismo predatório causa danos graves e irreversíveis ao ecossistema, incluindo a quebra de formações rochosas, furtos de fragmentos e perturbação letal da fauna local devido à luz e ao barulho excessivo de visitantes imprudentes.
Vamos começar com um dado: Mallorca, na Espanha, conta com mais de 4.000 cavidades espeleológicas submarinas. Em outras palavras, cavernas. Mallorca tem milhares de cavernas que servem de refúgio para seres vivos e têm dezenas de utilidades: reconstruir a evolução do nível do mar durante milhões de anos, estudar a conexão com as marés e analisar comunidades biológicas especializadas.
Agora, vamos ao ponto central desta história: o turismo. Pesquisadores e especialistas em conservação marinha apontam a massificação turística como principal inimiga da preservação desses lugares.
As cavernas turísticas têm regras e pessoal de segurança, mas, ainda assim, há "lembranças" levadas irregularmente por visitantes, espeleotemas que aparecem quebrados e cavernas secretas que deixaram de ser secretas. Alguém pode até mesmo acender a lanterna e apontá-la para um animal que literalmente pode morrer por causa da luz. Esses são locais especialmente sensíveis e danificar seu ecossistema pode ser irreversível. É o que diz Guiem Mulet, presidente da Federação Balear de Espeleologia: "Uma caverna é como um museu; quando você entra em um museu, não começa a tocar nas esculturas nem nos quadros".
Os influenciadores
Jogar-se de barriga, gritar, pular e até quebrar algumas estalactites são algumas das atitudes registradas. "Alguns dos que não respeitam nada são os que praticam turismo de aventura, que nunca entraram antes e fazem isso como se fosse uma discoteca", denuncia Xisco Gràcia, membro da ...
Matérias relacionadas
Até 2100, mais de 40% do território da Terra estaria árido. Quais são as regiões mais vulneráveis?