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Estudo na Amazônia aponta que proteger floresta existente supera restauração em custo-benefício

Análise liderada pela Universidade de Lancaster e Embrapa avalia impacto de queimadas e corte seletivo em Santarém e Paragominas

21 set 2026 - 16h47
(atualizado às 16h55)
Resumo
Proteger as florestas amazônicas existentes contra incêndios e degradação é mais eficaz e econômico para preservar a biodiversidade e o carbono do que investir apenas em restauração, conclui estudo liderado pela Universidade de Lancaster e Embrapa.

Proteger a floresta amazônica contra incêndios e degradação é mais vantajoso do que investir apenas em restauração, segundo um novo estudo internacional publicado na revista Science. A pesquisa aponta que focar na preservação das matas existentes oferece o melhor custo-benefício para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. O levantamento analisou mais de 3 milhões de hectares no Pará durante uma década.

Imagem gerada por Inteligência Artificial, que não tem o objetivo de refletir ou retratar situações reais.
Imagem gerada por Inteligência Artificial, que não tem o objetivo de refletir ou retratar situações reais.
Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

O trabalho foi desenvolvido por especialistas de instituições do Reino Unido, Brasil, Suécia e Austrália, sob coordenação da Universidade de Lancaster, monitorando as regiões de Santarém e Paragominas entre os anos de 2010 e 2020.

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A base metodológica cruzou imagens de satélite de alta resolução com dados de campo obtidos em 381 transectos distribuídos por 38 bacias hidrográficas e 499 propriedades rurais, além de modelagens para 160 espécies de aves e 426 tipos de árvores.

Por que evitar a degradação florestal é prioritário?

Impedir perturbações como fogo e corte seletivo assegura o maior retorno para a fauna e a flora nativas, além de resguardar o carbono em nível comparável ao combate ao desmatamento. O professor Jos Barlow, da Universidade de Lancaster e autor sênior do artigo, avalia o cenário: "Estas descobertas destacam a necessidade de implementar políticas e recursos para prevenir e combater os incêndios florestais que perturbam e degradam as florestas tropicais. Isso é ainda mais urgente neste ano de El Niño."

O autor principal do estudo, Leonardo Miranda, da Universidade de Lancaster, ressalta a importância de ampliar o foco conservacionista: "Embora nenhuma estratégia seja uma solução mágica, nossos resultados fornecem evidências claras de que devemos começar priorizando as florestas que nos restam. E a proteção deve ir além de evitar o desmatamento."

Qual é o papel da restauração em terras agrícolas?

Recuperar áreas agrícolas degradadas exige o maior volume financeiro e traz eficiência reduzida quando realizada isoladamente, embora seja fundamental em imóveis rurais com perda quase total da vegetação original. A pesquisa concluiu que o saldo positivo em carbono e biodiversidade dependeu da soma entre barrar o corte raso e conter a degradação, enquanto a integração das três frentes gerou o ganho máximo.

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A pesquisadora sênior da Embrapa Joice Ferreira aponta os riscos de desequilíbrio nos investimentos: "A restauração é essencial onde as florestas foram perdidas em grandes áreas. Mas nosso estudo mostra que investir em novas florestas faz pouco sentido se, ao mesmo tempo, falharmos em proteger as florestas existentes. Caso contrário, estamos jogando dinheiro em um balde furado – restaurando florestas em um lugar enquanto outras estão sendo degradadas e perdidas."

Como as cadeias produtivas são impactadas?

O estudo indica que o setor privado e o comércio de matérias-primas agropecuárias devem incorporar metas contra a degradação das matas remanescentes em suas diretrizes de fornecimento. O pesquisador do Stockholm Environment Institute Toby Gardner afirma: "Há uma necessidade de que as empresas e os mercados que se beneficiam de commodities comercializadas nacional e globalmente, como soja e carne bovina, assumam a responsabilidade não apenas pelo desmatamento, mas também pela degradação das florestas remanescentes que está inextricavelmente ligada a esses sistemas de produção."

A investigação foi estruturada pela Rede Amazônia Sustentável e recebeu financiamento do Global Centre on Biodiversity for Climate e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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