O último compromisso público de Nicolás Maduro antes de sua captura ocorreu na tarde de sexta-feira (2), em reunião com o enviado especial da China, Qiu Xiaoqi. O encontro, realizado no Palácio de Miraflores, em Caracas, antecedeu em menos de 24 horas a operação militar dos Estados Unidos que resultou na detenção do dirigente e no anúncio de uma administração interina norte-americana em solo venezuelano.
Durante a reunião, transmitida pela televisão estatal, Maduro e o diplomata chinês trataram do fortalecimento de laços bilaterais e acordos de cooperação para o ano de 2026, segundo a CNN. O evento contou com protocolos formais, incluindo a troca de presentes: Qiu Xiaoqi entregou um vaso de porcelana decorativo e Maduro retribuiu com uma pintura.
Participaram da agenda figuras do governo venezuelano como a vice-presidente, Delcy Rodríguez, e o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil. Na ocasião, o dirigente agradeceu o apoio do governo de Xi Jinping, sem indícios públicos da ofensiva que ocorreria na madrugada seguinte.
A incursão das forças especiais dos Estados Unidos teve início por volta das 3h (horário de Brasília) de sábado (3). A operação, fundamentada em mandados de prisão por narcoterrorismo, atingiu instalações em Caracas e regiões adjacentes. Após a captura, o presidente Donald Trump confirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram transferidos para o navio USS Iwo Jima com destino a Nova York.
O governo dos Estados Unidos declarou que passará a administrar a Venezuela de forma interina. O plano inclui a gestão direta da infraestrutura petrolífera por empresas norte-americanas, visando a recuperação da capacidade produtiva do país sob supervisão de Washington.
A transição forçada gerou reações divergentes. Rússia e Cuba formalizaram queixas contra a ação militar. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou reunião de emergência no Itamaraty para avaliar os efeitos da nova administração interina na região. Enquanto o governo argentino apoiou a medida, o Itamaraty expressou repúdio à intervenção armada e à forma de captura das autoridades venezuelanas.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em…
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026