Trump é tirado às pressas de jantar em Washington após tiros

26 abr 2026 - 06h50
(atualizado em 27/4/2026 às 06h05)

Suspeito disparou tiros do lado de fora de um salão onde presidente dos EUA e membros do governo participavam de noite de gala com a imprensa. Um agente foi alvejado, mas passa bem.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington na noite deste sábado (25/04), após um homem trocar tiros com seguranças na entrada do evento.

Trump é escoltado às pressas por seguranças após suspeita de atentado
Trump é escoltado às pressas por seguranças após suspeita de atentado
Foto: DW / Deutsche Welle

Não houve feridos. Mais tarde, Trump descreveu o ocorrido como um ataque de um "aspirante a assassino".

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O suspeito havia avançado por um posto de segurança do lado de fora do salão do hotel Washington Hilton e chegou a alvejar um agente do Serviço Secreto com uma espingarda antes de ser imobilizado e detido.

Do lado de dentro do salão estavam reunidos cerca de 2.600 convidados, entre eles altos funcionários do governo.

Imagens de circuito interno de TV divulgadas por Trump na plataforma Truth Social mostraram o suspeito correndo rapidamente por um posto de segurança, pegando momentaneamente os agentes de surpresa antes de eles sacarem suas armas.

Cenas de caos

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Imagens de vídeo mostram Trump e a esposa sentados a uma mesa no palco, conversando com alguém, quando uma confusão na parte de trás do salão - provocada pelo som de tiros - desencadeia uma onda de medo pelo ambiente.

Pessoas começaram a gritar "abaixem-se, abaixem-se!". Convidados em trajes de gala se esconderam debaixo das mesas enquanto agentes de segurança sacavam suas armas. Alguns empurraram funcionários do governo para o chão e os protegeram com os próprios corpos, enquanto outros formaram um cordão de proteção.

Agentes de segurança usando uniformes de combate invadiram o palco, apontando fuzis para o salão, enquanto Trump, sua esposa e Vance eram retirados do local. Integrantes do gabinete que estavam sentados em mesas espalhadas pelo enorme salão foram escoltados para fora, um a um, por suas equipes de segurança.

Enquanto a maioria dos convidados se aglomerava sob as mesas, algumas pessoas começaram a entoar gritos de "USA, USA!".

Trump permaneceu nos bastidores por cerca de uma hora após ser retirado às pressas do palco, disse uma pessoa à agência de notícias Reuters.

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Suspeito teria agido sozinho

Ainda não está claro se Trump era de fato o alvo do ataque, mas ele afirmou a repórteres depois acreditar que sim.

"Um homem avançou contra um posto de segurança armado com várias armas e foi neutralizado por alguns membros muito corajosos do Serviço Secreto", declarou na Casa Branca momentos depois do incidente.

Segundo o presidente, o agente do Serviço Secreto alvejado usava colete de balas, não se feriu e passa bem.

"Eles parecem acreditar que ele agiu sozinho, e eu também acho isso", acrescentou, depois de publicar um vídeo do atirador furando o bloqueio de segurança.

Trump concedeu a entrevista coletiva ao lado do vice-presidente JD Vance e outros membros do gabinete.

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O suspeito foi identificado como um morador da Califórnia de 31 anos de idade.

Além da espingarda, ele portava uma arma de fogo de cano curto e diversas facas, disse o chefe interino da Polícia de Washington, Jeffery Carroll.

Segundo o policial, o suspeito foi levado ao hospital, mas ainda era muito cedo para dizer qual teria sido a motivação do crime. Ele não teria sido alvejado por nenhum tiro.

Acredita-se que ele estava hospedado no hotel, acrescentou Carroll.

O ataque aconteceu por volta das 20h35 do horário local (21h35 do Brasil), pouco antes de Trump discursar.

Um dos focos da investigação deve ser como o atirador conseguiu contrabandear a espingarda para dentro do hotel, que sedia o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, um evento de destaque no calendário social de Washington.

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Convidados do evento afirmam que só precisavam passar por uma revista de segurança ao entrar no salão do jantar, mas não na entrada do hotel.

O evento de gala contou com a presença de muitos integrantes do gabinete de Trump e de outros altos funcionários da administração, sob forte esquema de segurança. Foi a primeira vez que Trump participou do evento como presidente, após tê-lo boicotado em anos anteriores.

O local do jantar já havia sido palco de uma tentativa de assassinato contra o presidente Ronald Reagan, baleado e ferido do lado de fora do hotel em 1981.

Outros atentados

Desde 2024, Trump já foi alvo de outros dois atentados.

Em julho de 2024, durante um evento de sua campanha eleitoral à Casa Branca, Trump foi alvejado de raspão na orelha por um atirador de 20 anos em Butler, na Pensilvânia. O suspeito foi morto na hora por seguranças.

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Dois meses depois, agentes do Serviço Secreto descobriram um homem armado escondido entre arbustos em um clube de golfe de Trump em West Palm Beach, na Flórida, enquanto o político jogava. O caso foi classificado pela Justiça americana como tentativa de assassinato, e o suspeito foi condenado à prisão perpétua em fevereiro deste ano.

Reações internacionais

Líderes de todo o mundo expressaram choque com o episódio e alívio com a prisão do atirador e a notícia de que não houve feridos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou solidariedade a Trump, Melania e os demais presentes no jantar. "O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger", escreveu no X.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que foi "um enorme alívio" saber que o presidente, a primeira-dama e todos os presentes estavam "em segurança".

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"Fiquei chocado com as cenas no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca em Washington durante a madrugada", escreveu Starmer no X. "Qualquer ataque às instituições democráticas ou à liberdade de imprensa deve ser condenado nos termos mais fortes possíveis."

O presidente da França, Emmanuel Macron, descreveu o ataque como "inaceitável", enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "a violência não tem lugar na política, nunca". Von der Leyen disse estar "aliviada" por Trump, sua esposa e todos os presentes estarem "em segurança".

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, um dos críticos mais contundentes na Europa da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, também condenou o ataque. "A violência nunca é a resposta. A humanidade só avançará por meio da democracia, da convivência e da paz", postou no X.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um aliado próximo de Trump, disse ter ficado chocado com o que chamou de "tentativa de assassinato" de Trump. "Estamos aliviados por saber que o presidente e a primeira-dama estão seguros e bem", escreveu, elogiando o Serviço Secreto dos Estados Unidos pela resposta "rápida e decisiva".

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O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que esteve entre os primeiros a reagir aos acontecimentos dramáticos na capital americana, também expressou alívio por todos estarem em segurança. "A violência política não tem lugar em nenhuma democracia, e meus pensamentos estão com todos os que foram abalados por este evento perturbador", declarou Carney.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também usou o X para enviar sua solidariedade. "A violência jamais deve ser a resposta", escreveu.

Também o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, condenou o episódio. "Não há lugar para a violência em uma democracia. Decidimos por maioria, não pela [força da] arma", escreveu no X neste domingo.

ra/as (Reuters, AFP, dpa)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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