O presidente dos EUA, Donald Trump, está considerando um plano para punir membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que teriam relutado em cooperar com Washington durante a guerra contra o Irã.
A proposta envolveria a retirada das tropas americanas dos países considerados pouco úteis ao esforço de guerra e seu remanejamento para membros da aliança que apoiaram a campanha militar de forma mais incisiva. As informações são do jornal americano Wall Street Journal, que cita autoridades do governo.
Trump ameaçou diversas vezes retirar completamente os EUA da aliança. Por lei, porém, o movimento depende de aprovação do Congresso.
Desde o início de seu novo governo, o republicano vem ampliando seus embates com membros da Otan. Já durante o conflito com o Irã, o presidente instou os membros da aliança a organizarem uma missão naval militar para reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã para impedir o tráfego de navios petroleiros.
Diplomatas europeus, porém, afirmam que não participarão de operações de desminagem ou missões militares enquanto o conflito não se encerrar de vez. A recusa de países como França e Alemanha em aderir à proposta irritou a Casa Branca.
Trump se reúne com Rutte em meio às tensões
Nesta quarta-feira (08/04), Trump se reúne com o secretário‑geral da Otan, Mark Rutte, que tem defendido uma cooperação mais incisiva da aliança com os EUA. Mais cedo, a porta‑voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a aliança militar "foi testada e falhou" durante a guerra contra o Irã.
Leavitt declarou que é "triste" que a Otan tenha "virado as costas ao povo americano" nas últimas semanas, apesar de os EUA financiarem grande parte da defesa da aliança.
A retirada dos EUA da Otan "é uma questão que o presidente já abordou e que, acredito, ele discutirá dentro de algumas horas" com Mark Rutte, continuou Leavitt.
Rutte deve enfatizar ao americano o interesse comum em restaurar o comércio marítimo e reduzir tensões, além de destacar o aumento dos gastos militares europeus.
Especialistas alertam que o momento é "perigoso" para a aliança transatlântica, já abalada por divergências sobre Ucrânia, gastos militares e o interesse americano de anexar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca.
Trump tem chamado a Otan de "tigre de papel" e questionado publicamente se deveria permanecer na aliança. Sua atenção ao Oriente Médio também levanta preocupações sobre a diminuição do suprimento de armas destinadas à Ucrânia, prioridade para os aliados europeus.