Trump ataca o Papa e diz que ele está: "colocando muitos católicos em risco"

Descubra os bastidores do novo embate entre a Casa Branca e o Vaticano e como a disputa religiosa pode influenciar o conflito no Oriente Médio

5 mai 2026 - 18h42

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma nova crise diplomática ao afirmar que o Papa Leão XIV está ameaçando muitos católicos devido ao seu posicionamento sobre a guerra contra o Irã. O líder republicano acusou o Pontífice de não se preocupar com a possibilidade de Teerã desenvolver armas nucleares. A declaração foi dada durante uma entrevista no domingo ao apresentador conservador Hugh Hewitt. O comentário ganhou forte repercussão internacional nesta terça-feira e reacendeu as divergências entre a Casa Branca e a Santa Sé. De acordo com informações da AFP, o ataque direto ocorre poucos dias antes de uma visita oficial do secretário de Estado norte-americano ao Vaticano.

Donald Trump e Papa Leão XIV
Donald Trump e Papa Leão XIV
Foto: Anna Moneymaker/ Christopher Furlong / Perfil Brasil

Durante a conversa com Hewitt, o presidente foi enfático ao criticar a postura pacifista do líder religioso. "Eu acredito que ele [Papa Leão XIV] está colocando muitos católicos e muitas pessoas em risco. Mas, enfim, se depende do Papa… Ele acha que está tudo certo o Irã ter uma arma nuclear", afirmou o presidente dos Estados Unidos. Vale ressaltar que o Papa Leão XIV, o primeiro Pontífice americano da história e com nacionalidade peruana, nunca se posicionou a favor do desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã. Ele segue a tradição antibelicista do Vaticano, mantendo a linha adotada por seu antecessor, o Papa Francisco.

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Trump e Leão XIV têm trocado críticas públicas nos últimos meses. O Papa já havia criticado as políticas anti-imigração de Washington e a escalada militar no Oriente Médio. Em resposta, o presidente americano chamou o líder da Igreja Católica de fraco e terrível em relação à política externa. O Sumo Pontífice reagiu prontamente às ofensas. Ele assegurou que possui o dever moral de se manifestar contra conflitos armados e garantiu não ter medo das pressões do governo de Donald Trump. As críticas do republicano indignaram outros líderes mundiais, como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Embora seja uma aliada ideológica de Trump, Meloni saiu em defesa do Papa e também acabou sendo alvo de reclamações do presidente americano.

A polêmica ganha contornos de urgência porque o secretário de Estado, Marco Rubio, deve desembarcar no Vaticano na próxima quinta-feira. O diplomata, que é um católico devoto e frequenta a missa regularmente, terá uma audiência com o Papa às 11h30 (6h30 em Brasília). O encontro deve durar cerca de 30 minutos e visa analisar a situação no Oriente Médio. Rubio também deve se reunir com o cardeal Pietro Parolin, o número dois do Vaticano. Segundo fontes diplomáticas e a imprensa italiana, a missão de Rubio será tentar reconstruir as pontes de diálogo que foram abaladas pelas falas recentes de Donald Trump, buscando pontos de interesse comum nas Américas.

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