Com o calor, a presença de escorpiões cresce, exigindo cuidados urbanos redobrados. A prevenção envolve vedar ralos, frestas e evitar o acúmulo de entulhos e lixo, que atraem baratas, sua principal presa. Inseticidas e plantas repelentes não são eficazes. Caso ocorra uma picada, especialmente de escorpião-amarelo, não se deve fazer torniquete ou sugar o veneno; a orientação é lavar o local com água e sabão e buscar socorro médico imediato para a possível aplicação gratuita do soro via SUS.
Com a chegada dos meses mais quentes, os escorpiões passam a exigir atenção redobrada dentro e ao redor das residências. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o período entre setembro e fevereiro costuma registrar maior presença desses animais. Já no Norte e Nordeste, onde as temperaturas permanecem elevadas durante boa parte do ano, as ocorrências também podem acontecer em diferentes épocas.
De acordo com especialistas, os moradores principalmente de centros urbanos devem ficar mais atentos. Isso porque o ambiente oferece condições favoráveis para a sobrevivência dos aracnídeos. Redes de esgoto, tubulações e áreas com acúmulo de materiais podem fornecer abrigo, água e alimento. As baratas, encontradas com frequência nesses locais, estão entre as principais fontes de alimentação dos escorpiões.
Escorpiões podem entrar por ralos e pequenas aberturas
A prevenção, portanto, começa pela redução dos locais que podem servir de esconderijo ou passagem. Ralos sem proteção, frestas, buracos em paredes, caixas de fiação abertas e espaços sob portas facilitam o acesso ao interior dos imóveis. Apartamentos em andares altos também não estão completamente protegidos, já que esses animais conseguem subir por superfícies irregulares.
Dentro e fora de casa, vale evitar o acúmulo de entulho, madeira, folhas secas, lixo e restos de materiais de construção. Roupas ou tecidos deixados no chão também podem oferecer abrigo. Por isso, recomenda-se verificar calçados antes de usá-los e evitar que roupas de cama ou mosquiteiros permaneçam em contato com o piso.
Ademais, o cuidado com o lixo faz diferença. Mantê-lo bem acondicionado reduz a presença de insetos que servem de alimento aos escorpiões. Em jardins, folhagens muito densas e plantas encostadas diretamente em muros ou paredes também merecem atenção.
Plantas conseguem afastar escorpiões?
Apesar do pensamento popular, não há comprovação científica de que alecrim, arruda, lavanda ou citronela funcionem como repelentes para esses animais. Dessa forma, substituir medidas de prevenção por plantas ou receitas caseiras não impede que o aracnídeo encontre abrigo dentro da residência. Produtos como inseticidas, pesticidas, água sanitária e outras substâncias químicas também não são indicados para o controle doméstico.
Além de apresentarem riscos à saúde, podem fazer o escorpião abandonar o esconderijo e se deslocar para outra área, aumentando a possibilidade de contato com moradores. A estratégia mais indicada, então, é tornar o ambiente menos favorável: eliminar possíveis abrigos, vedar acessos e diminuir a disponibilidade de insetos.
O que fazer ao encontrar um escorpião?
Ao se deparar com o animal, não tente segurá-lo com as mãos. Luvas comuns e calçados de tecido não oferecem proteção suficiente contra a picada. A captura também só deve ser feita quando houver segurança e equipamentos apropriados. Caso contrário, a orientação é manter distância e comunicar o serviço responsável da prefeitura do município. A tentativa de matar ou recolher o animal sem proteção adequada aumenta o risco de acidente.
No Brasil, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) está associado à maior parte dos quadros graves de envenenamento. A espécie se adapta com facilidade às cidades e apresenta uma característica que favorece sua expansão: as fêmeas conseguem se reproduzir sem acasalamento.
Picada de escorpião exige atendimento médico
Se ocorrer uma picada, a recomendação é procurar assistência médica imediatamente, mesmo que os primeiros sinais pareçam leves. O intervalo até o atendimento pode influenciar a evolução do quadro, e crianças precisam de atenção especial devido ao maior risco de complicações.
Enquanto busca ajuda, a pessoa pode lavar o local com água e sabão. A compressa morna também pode auxiliar no alívio da dor. Já gelo, torniquetes, tentativas de sugar o veneno ou aplicação de produtos sobre a pele devem ser evitados.
A dor costuma surgir logo após a picada e pode se espalhar pelo membro atingido. Em situações moderadas, também podem aparecer suor excessivo, vômitos e aceleração dos batimentos cardíacos. Nos casos mais graves, o envenenamento pode causar alterações respiratórias, convulsões, problemas cardíacos e choque.
O médico é quem define a gravidade e a necessidade de antiveneno. Quando indicado, o soro antiescorpiônico ou antiaracnídico, produzido pelo Instituto Butantan, é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).