Muitas pessoas associam a cor da tarja na embalagem à força do remédio. No entanto, a classificação estabelecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mede apenas o nível de controle exigido para a venda do produto.
A princípio, a sinalização de tarja preta e tarja vermelha orienta sobre a necessidade de receita médica e previne o uso inadequado de substâncias que oferecem riscos à saúde.
O que é a tarja de um medicamento?
A tarja vermelha e a tarja preta informam o grau de rigor sanitário exigido na comercialização do produto. Na prática, o mercado farmacêutico divide os remédios em três categorias principais:
-
Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs): Vendidos sem receita.
-
Medicamentos de tarja vermelha: Exigem apresentação ou retenção de receita.
-
Medicamentos de tarja preta: Exigem retenção de receita especial devido ao risco de dependência.
Tarja vermelha: prescrição obrigatória
Os medicamentos de tarja vermelha necessitam de receita médica para a compra. Essa categoria engloba remédios que exigem acompanhamento profissional porque podem provocar reações adversas ou mascarar sintomas de outras doenças. Na embalagem, o consumidor encontra a frase "Venda sob prescrição médica".
Tarja preta: controle especial e risco de dependência
A tarja preta identifica substâncias que atuam diretamente no sistema nervoso central. Elas trazem na embalagem o alerta: "Venda sob prescrição médica. O abuso deste medicamento pode causar dependência."
Esses produtos exigem notificações de receita específicas para o controle sanitário:
-
Receita Azul (Notificação B): Utilizada para psicotrópicos, como ansiolíticos (ex: diazepam e alprazolam).
-
Receita Amarela (Notificação A): Destinada a medicamentos entorpecentes e estupefacientes.
Diante desse cenário, o especialista ressalta que esses medicamentos exigem monitoramento contínuo para evitar o uso prolongado e o vício. Contudo, a faixa preta não significa que o produto é proibido ou perigoso quando utilizado com acompanhamento médico adequado.
Medicamentos sem tarja (MIPs) e compras virtuais
Os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) tratam sintomas leves e autolimitados, como febre, dores leves e azia. Contudo, a Anvisa alerta que a automedicação traz riscos, como alergias e interações medicamentosas.
Do mesmo modo, a venda de remédios tarjados pela internet exige cuidados. A legislação brasileira determina que farmácias virtuais possuam uma unidade física regularizada. No caso de medicamentos sujeitos a controle especial, o estabelecimento deve receber a receita física antes de enviar o produto ao consumidor.
Por analogia ao trabalho dos médicos, o farmacêutico possui papel fundamental na segurança do paciente. O profissional pode se recusar a entregar um medicamento caso identifique erros na prescrição ou riscos graves à saúde do cliente.