O Senado da Argentina aprovou, nesta sexta-feira (27), o projeto de lei que altera a maioridade penalno país de 16 para 14 anos. A medida recebeu 44 votos favoráveis, 27 contrários e uma abstenção. Após a aprovação prévia pela Câmara dos Deputados, o texto segue agora para a sanção do presidente Javier Milei.
A proposta original do Executivo previa a redução para 13 anos, mas o governo aceitou fixar o limite em 14 anos após negociações com parlamentares aliados. A reforma do Regime Penal Juvenil ganhou prioridade na agenda legislativa após o assassinato de um adolescente na província de Santa Fé, cometido por outros menores de idade, evento que gerou repercussão nacional.
De acordo com as diretrizes da Casa Rosada, adolescentes condenados sob a nova lei deverão cumprir as medidas em estabelecimentos distintos dos destinados a adultos. A aplicação de regime fechado será restrita a crimes considerados graves, como homicídio.
Durante a tramitação na Câmara, a oposição questionou a viabilidade financeira para a implementação das novas unidades de custódia. Embora o governo tenha anunciado a liberação de recursos para a estrutura, parlamentares da oposição afirmaram que os valores previstos são insuficientes para a execução do sistema.
Enquanto a Argentina conclui a votação, o Brasil mantém em discussão uma proposta semelhante dentro da PEC da Segurança. O texto em análise na Câmara dos Deputados sugere reduzir a idade de responsabilidade penal de 18 para 16 anos, especificamente em casos de crimes hediondos ou cometidos com violência e grave ameaça.
A proposta brasileira estabelece os seguintes critérios:
• Inimputabilidade: Menores de 16 anos permanecem inimputáveis.
• Separação: Jovens entre 16 e 18 anos devem cumprir pena em locais separados de maiores de idade.
• Referendo: A validade da nova regra dependeria de aprovação popular em referendo nas eleições de 2028.
O governo brasileiro manifestou oposição ao cronograma de votação em 2026. Lideranças partidárias, como o deputado Pedro Uczai (PT-SC), argumentam que o debate em ano eleitoral prejudica a análise técnica e a proteção dos direitos de crianças e adolescentes.