Haddad diz que não conhece vida de Lulinha, alvo da CPI do INSS, e que ele não participa do governo

Haddad afirmou que não tem informações sobre a investigação envolvendo o filho do presidente e disse desconhecer detalhes sobre o negócio do Credcesta, posteriormente ligado ao Banco Master, em privatização realizada durante o governo do PT na Bahia

27 fev 2026 - 21h57

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou comentar a situação do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante entrevista ao canal Flow News, no YouTube, nesta sexta-feira, 27. O ministro foi questionado por um internauta sobre a quebra de sigilo bancário do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Haddad afirmou que prefere não se manifestar sobre um caso do qual não tem informações e disse não ter relação com Lulinha. Segundo ele, o empresário não participa do governo.

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"Eu não consigo comentar o que eu não conheço. Eu não conheço a vida do Lulinha. Quebraram o sigilo dele. Eu não tenho ideia do que é o sigilo dele. Conheço a pessoa, mas ele não participa do governo", declarou. "Eu não sei a conta corrente dele, não tenho a menor ideia, mas, sem dúvidas, há os caminhos para achar."

Nas investigações, a Polícia Federal (PF) apontou citações a Lulinha no inquérito que apura desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Como mostrou o Estadão em janeiro, há indícios de que o filho do presidente teria atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como principal operador do esquema fraudulento.

A defesa de Lulinha nega qualquer participação nas fraudes do INSS e afirma que ele não cometeu crime.

Haddad também foi questionado sobre o negócio de crédito consignado Credcesta, do Banco Master, adquirido em privatização realizada na Bahia em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil.

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O ministro afirmou que o caso não envolve as fraudes investigadas no Banco Master. "Ali foi uma licitação para a venda do consignado da Bahia. O dono do Credcesta é quem virou sócio do Vorcaro, mas depois da operação. Eu não conheço aquilo com profundidade. Não sei dizer."

O empresário Augusto Lima, dono do Credcesta, foi parceiro da empresa estrangeira que venceu o leilão de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo, criada para fornecer alimentos à população de baixa renda.

Por decreto do então governador Rui Costa, quem adquirisse a Ebal também teria o direito de oferecer crédito consignado a servidores públicos, com margem de até 30% da remuneração.

Antes e depois de estruturar o Credcesta, Augusto Lima manteve proximidade com Rui Costa e outros líderes petistas na Bahia, entre eles o senador Jaques Wagner (PT-BA). Foi a operação na Bahia que o tornou atrativo para se associar a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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Com o avanço das investigações sobre seus negócios e sobre o Master, interlocutores afirmam que Lima deixou de ser visto com frequência ao lado de lideranças do PT. Rui Costa tem dito a aliados que não houve irregularidade na privatização da Ebal e que não há motivo para preocupação nas apurações.

Lulinha e Lima na mira da CPI do INSS

A CPI do INSS aprovou, nesta quinta-feira, 26, todos os requerimentos em pauta, que miram Lulinha e Augusto Lima, além de outros investigados pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema de descontos associativos indevidos.

Lulinha pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão da CPI que determinou a quebra de seus sigilos. Já Augusto Lima é alvo de sete requerimentos no colegiado, incluindo pedidos de depoimento e de quebra de sigilos fiscal e bancário, ainda pendentes de análise.

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