Rheinmetall deve demorar a repor mísseis em falta nos EUA

7 ago 2026 - 16h51

Primeira fábrica de mísseis ATACMS fora dos EUA não deve começar a produzir antes de dois anos, disse presidente da empresa alemã. EUA estariam com os estoques em baixa devido à guerra contra o Irã.Num sinal dos problemas enfrentados pelos Estados Unidos para recompor estoques de armas reduzidos pela guerra com o Irã, a gigante alemã do setor de defesa Rheinmetall informou nesta sexta-feira (07/08) que levará tempo para ampliar a produção planejada dos Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) em parceria com a americana Lockheed Martin.

Míssil balístico de longo alcance ATACMS
Míssil balístico de longo alcance ATACMS
Foto: DW / Deutsche Welle

A informação partiu do próprio presidente-executivo da empresa, Armin Papperger, em entrevista à agência de notícias Reuters.

Publicidade

No mês passado, a Rheinmetall, maior fabricante de munições da Europa, assinou um memorando de entendimento com a Lockheed Martin, maior empresa de defesa do mundo, para produzir conjuntamente os ATACMS na fábrica da Rheinmetall em Unterlüß, no norte da Alemanha, onde a instalação de produção — a primeira fora dos EUA — deverá ser montada no próximo ano.

Segundo Papperger, ela terá "capacidade suficiente para recompor os arsenais militares dos EUA reduzidos pelo conflito envolvendo o Irã". Mas o executivo ressaltou que "isso não acontecerá em dois anos". "Levará muito mais tempo", acrescentou.

Papperger afirmou que a joint venture para a produção dos ATACMS ainda precisa ser aprovada formalmente, mas observou que o processo está bastante avançado e conta com o apoio do governo dos Estados Unidos.

A Rheinmetall e a Lockheed Martin pretendem atuar no mercado global dos ATACMS. Segundo Papperger, "haverá mercado para mísseis pelos próximos 15 anos". A ideia é que o empreendimento supra a demanda pelo míssil de longo alcance em países da Otan e nações aliadas.

Publicidade

Estoques americanos em baixa

Nesta semana, fontes militares confirmaram à Reuters que as Forças Armadas americanas já consumiram "praticamente todos" os mísseis ATACMS e Precision Strike Missile (PrSM) disponíveis para a guerra no Irã em cinco meses de conflito.

A situação preocupa porque pode limitar a capacidade de resposta dos EUA em outras crises, incluindo eventuais confrontos com Rússia ou China.

Na quinta-feira, o presidente americano, Donald Trump, minimizou as preocupações com a escassez de armamentos, afirmando que o país possui um suprimento praticamente ilimitado de alguns tipos de munição, embora tenha reconhecido que os estoques de outros sistemas estão mais apertados. Ele acrescentou que as empresas de defesa americanas estão ampliando sua capacidade de produção.

Empresas de defesa em todo o mundo correm para atender ao aumento da demanda à medida que governos ampliam os gastos militares em meio aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, além da pressão dos Estados Unidos para que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria segurança.

Publicidade

A Rheinmetall está entre as maiores beneficiadas pelo esforço europeu para aumentar os gastos com defesa.

A maior fabricante de munições da Europa tem buscado parcerias e aquisições para expandir rapidamente sua capacidade produtiva e atender à crescente demanda.

ra/le (Reuters, DW)

------------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações