Andrew Mountbatten‑Windsor já perdeu títulos reais, mas continua como o 8º nome na ordem de herdeiros do trono. Governo britânico quer propor uma lei para retirá‑lo da lista após a conclusão das investigações.O governo britânico considera aprovar uma lei para retirar o ex‑príncipe Andrew da linha de sucessão ao trono real em meio às novas revelações sobre seu envolvimento com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein.
O rei Charles 3º já havia retirado todos os títulos reais do irmão mais novo e o expulsado de sua residência em Windsor. Ainda assim, o filho da falecida rainha Elizabeth 2ª permanece como o oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, atrás da princesa Lilibet, filha de seu sobrinho, o príncipe Harry.
Andrew Mountbatten‑Windsor também é alvo de uma investigação policial sob suspeita de má conduta no exercício de função pública. Na quinta‑feira, ele passou 11 horas detido, acusado de compartilhar informações confidenciais com Epstein enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido.
Fontes disseram à agência de notícias AFP que o governo britânico agora considera apresentar uma legislação para remover o ex-duque de York da lista de herdeiros do trono assim que a investigação policial for concluída. A informação foi posteriormente confirmada pelo ministro da Defesa, Luke Pollard, em entrevista à BBC Radio 4.
No entanto, mesmo se aprovada, a regra deve demorar a fazer efeito. "Antes que a linha de sucessão pudesse ser alterada, seria necessário que todos os 14 países onde o rei Charles também é chefe de Estado, além do Reino Unido, mudassem suas respectivas leis de sucessão", explicou o constitucionalista Robert Hazell, do University College London.
Indignação cresce contra ex-príncipe
A indignação pública contra Andrew cresceu nos últimos meses, alimentada por um fluxo diário de informações sobre seus laços com Epstein. Uma pesquisa YouGov realizada após sua prisão, um ato sem precedentes contra um membro da família real na era moderna, mostrou que 82% acreditam que ele deveria ser removido da linha de sucessão.
A polícia realizou nesta sexta‑feira o segundo dia de buscas em sua antiga residência, a Royal Lodge, uma mansão de 30 quartos em Windsor. As operações devem continuar ao longo do fim de semana.
A Polícia Metropolitana de Londres disse que interroga antigos agentes de segurança que trabalharam com o então membro da realeza em busca de informações que tenham "visto ou ouvido durante aquele período de serviço que possa ser relevante para nossas investigações em andamento".
A corporação também trabalha separadamente com autoridades dos EUA para avaliar alegações de que múltiplos voos ligados a Epstein teriam ajudado a traficar meninas e mulheres entrando e saindo de aeroportos de Londres.
Ao menos nove forças policiais britânicas analisam as denúncias surgidas do mais recente lote de cerca de três milhões de arquivos de Epstein divulgados pelo governo dos EUA no mês passado.
Andrew teria compartilhado informações sensíveis
Em um e‑mail de novembro de 2010 presente nos documentos americanos, Mountbatten‑Windsor parece compartilhar com Epstein relatórios sobre sua visita a vários países asiáticos, além de outras comunicações sobre possíveis investimentos.
O governo britânico determina que enviados comerciais têm o dever de manter sigilo sobre informações comerciais ou políticas sensíveis relacionadas às viagens oficiais. À época, o americano já havia sido condenado nos Estados Unidos por prostituição infantil.
Andrew também é acusado por uma das delatoras do caso Epstein, Virginia Giuffre, que relatou em suas memórias póstumas que teria sido traficada três vezes para fazer sexo com o britânico - duas delas quando tinha 17 anos.
O ex‑príncipe nega repetidamente qualquer irregularidade. Em 2022, fechou um acordo para encerrar um processo civil movido por Giuffre nos EUA, sem admitir culpa.
Após a prisão, o rei Charles divulgou uma rara declaração de próprio punho afirmando que "a lei deve seguir seu curso" e tentou manter a rotina institucional. Mas comentaristas da realeza destacaram que a primeira prisão de um membro sênior da família real em séculos representa um momento de perigo para a monarquia.
gq (AFP, OTS)