Márcio Canella, deputado estadual recém-eleito pelo Rio de Janeiro e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso na Operação Unha e Carne, acusado de articular um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões envolvendo postos de combustíveis, corrupção e outros crimes.
Recém-eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 15, na Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Rio.
A oitava fase da apuração também resultou na detenção do ex-chefe da Polícia Civil fluminense Marcus Amim, segundo informaram duas fontes próximas ao caso à Reuters.
Qual é a trajetória política de Márcio Canella?
Márcio Canella, cujo nome de registro civil é Márcio Correia de Oliveira, exerceu o cargo de prefeito de Belford Roxo entre 2025 e abril de 2026, além de presidir o diretório do União Brasil no Estado. A saída da prefeitura ocorreu para disputar uma cadeira no Congresso Nacional.
Após desistir da corrida ao Senado e afastar a legenda da chapa encabeçada por Douglas Ruas, Márcio Canella disputou o Legislativo fluminense neste ano e obteve 197.178 votos, consagrando-se como o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Quais acusações motivam as apurações da corporação?
A Polícia Federal aponta Márcio Canella como articulação política de uma rede suspeita de lavar R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Os valores foram detectados em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
O esquema utilizava quase 100 postos de combustíveis na Região Metropolitana fluminense. As medidas autorizadas pela Justiça determinaram 6 mandados de prisão, 16 ordens de busca, o sequestro de patrimônio e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas por delitos como corrupção, cartel e violação de sigilo.
Por que o parlamentar eleito já havia sido detido em julho?
A Polícia Federal deteve o ex-prefeito em flagrante no dia 7 de julho pela posse irregular de um fuzil calibre .556 encontrado dentro de um veículo durante a sexta fase das investigações.
A equipe policial também recolheu dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores, munições e relógios de luxo. Dias após a prisão, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória ao acatar a tese de que a arma pertencia ao sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, integrante da escolta do político.