Quatro semanas de bombardeios deixam o Irã em ruínas

1 abr 2026 - 17h31

Ataques aéreos destroem infraestrutura militar e energética, mas prédios civis e patrimônios culturais também são danificados. Desde o início da guerra, milhares de locais foram destruídos no país.O mês de ofensiva aérea contra o Irã vem deixando ruínas em todo o país, sobretudo infraestruturas militares. Segundo relatos da imprensa, fábricas de mísseis, instalações de combustível e diversas posições de lançamento foram particularmente danificadas.

Mas prédios civis e locais históricos, como o Palácio Golestan, também sofreram impactos. Centenas de pessoas foram mortas nos ataques. Dezenas de milhares ficaram feridas.

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Quais instalações militares foram atingidas?

Segundo informações do jornal americano Washington Post, nas primeiras quatro semanas da guerra , quatro centrais de produção e pelo menos 29 bases de lançamento de mísseis foram atingidas. Os danos afetam principalmente fábricas de combustíveis sólidos e líquidos, usados para produzir e lançar mísseis de curto e médio alcance. O Instituto para o Estudo da Guerra documentou ataques a mais de 20 bases de mísseis durante o conflito.

Imagens de satélite mostram que dezenas de edifícios foram destruídos nos complexos militares de Khojir, Parchin, Hakimiyeh e Schahrud, segundo o Washington Post. Muitos acessos a túneis usados para armazenar armamento no subsolo também foram soterrados ou danificados.

O Exército dos EUA divulgou recentemente seu próprio balanço: mais de dois terços das instalações iranianas de produção de mísseis e drones foram atingidos até 26 de março. A maioria dos estaleiros também teria sido danificada.

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Ao longo das quase quatro semanas de guerra, as forças americanas atingiram mais de 10 mil alvos militares, afirmou o comandante do Comando Central dos EUA (Centcom), almirante Brad Cooper, em vídeo publicado na plataforma X.

Quais instalações de energia foram atingidas?

Instalações centrais de energia no Irã também foram alvo de ataques aéreos, segundo a imprensa. O campo de gás South Pars foi particularmente afetado.

Maior campo de gás já descoberto no mundo, localizado no Golfo Pérsico, South Pars é explorado conjuntamente por Irã e Catar. A região é vital para o setor energético iraniano e responde por cerca de 70% do abastecimento interno de gás.

Quantas instalações civis foram atingidas

Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, mais de 100 mil prédios civis foram danificados ou destruídos, muitos pelo resultado de detritos de explosões. Só na capital, Teerã, quase 40 mil residências e estabelecimentos comerciais foram afetados, informou a organização na plataforma X.

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Nas últimas quatro semanas, cerca de 600 escolas e quase 300 centros de saúde também foram danificados. As informações não puderem ser verificadas de forma independente pela DW. Em 17 de março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) calculava que seis hospitais haviam sido evacuados e 18 atingidos.

O Ministério da Saúde do Irã informou, segundo a agência alemã de notícias dpa, que desde o início da guerra mais de 1.900 pessoas foram mortas, incluindo 240 mulheres e mais de 200 crianças. No mesmo período, mais de 24.800 pessoas ficaram feridas, de acordo com comunicado de 26 de março. A OMS havia estimado, em meados de março, cerca de 1.300 mortos no Irã.

Quais construções históricas foram danificadas

Dezenas de locais históricos — palácios, mesquitas e sítios pré‑históricos — também foram danificados nos bombardeios, segundo agências de notícias. Entre eles estão centros culturais tombados como Patrimônio Mundial pela Unesco. Os danos mais graves ocorreram nos centenários Palácio de Golestan e Palácio Chehel Sotoun, além da Mesquita Jameh, datada do século 8.

Em todo o país, o governo registrou danos em 131 construções históricas, afirma comunicado divulgado nesta segunda‑feira. A província de Teerã é a mais afetada, com 61 casos, seguida por Isfahan, com 23 estruturas danificadas.

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Logo após o início da guerra, o governo iraniano pediu proteção às instalações culturais. A Unesco afirmou ter enviado "as coordenadas geográficas dos sítios do Patrimônio Mundial e de outros monumentos culturais importantes a todas as partes envolvidas, para evitar possíveis danos", o que não impediu os efeitos colaterais.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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