Primeiro-ministro do Reino Unido afirma que vai renunciar

22 jun 2026 - 06h25

O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira que renunciará ao cargo, com um novo líder sendo empossado até o retorno do Parlamento em setembro, abrindo caminho para que o Reino Unido tenha seu sétimo líder em 10 anos.

Menos de dois anos após ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições, que ⁠prometia pôr fim ao caos na política britânica, Starmer afirmou que estava claro ‌que seu partido queria que ele se afastasse.

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Ele disse que as indicações para quem vier a substituí-lo serão abertas em 9 de julho. No entanto, ‌seu rival Andy Burnham é o claro favorito.

"A ‌questão que meu partido está levantando agora é se eu sou ⁠a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e aceito essa resposta com dignidade", disse ele.

PRESSÃO VINHA SE ACUMULANDO HÁ MESES

A ameaça a Starmer, que vinha se intensificando há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira, quando Burnham, prefeito da ‌Grande Manchester, venceu de forma decisiva uma eleição parlamentar para retornar a Westminster, ‌derrotando um candidato do partido ⁠Reform UK, de ⁠Nigel Farage, que lidera as pesquisas de opinião nacionais há mais de um ano.

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Essa vitória ⁠deu esperança aos parlamentares trabalhistas de ‌que Burnham, político de carreira ‌conhecido por suas habilidades de comunicação, pudesse transformar a sorte de um partido que perdeu apoio sob a liderança de Starmer, cujos índices de popularidade caíram para o nível mais baixo já registrado por qualquer ⁠líder britânico.

Starmer agradeceu aos pares pelo apoio, com a voz embargada pela emoção ao prestar homenagem também à esposa e aos filhos.

A libra e os títulos do governo britânico permaneceram estáveis logo após o anúncio de Starmer, que era amplamente esperado pelos investidores.

Apesar da ‌tentativa de uma transição tranquila, a mudança não está isenta de riscos.

Além de afirmar que o país precisa de mudanças fundamentais e de reduzir o ⁠custo de vida, Burnham ainda não deixou clara sua abordagem em relação às relações exteriores, à economia e à defesa.

Assim como Starmer, ele pode descobrir que tem pouca margem de manobra, cercado por investidores do mercado de títulos que se opõem a qualquer endividamento adicional e confrontado por um eleitorado indignado que acredita que o país não está funcionando adequadamente.

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O Reino Unido já tem os custos de endividamento mais altos entre as nações ricas do Grupo dos Sete devido à sua elevada dívida e aos pagamentos de juros, aos anos de crescimento econômico anêmico, às dificuldades para cortar gastos e à necessidade de investir em áreas como a defesa.

(Escrito por Kate Holton; reportagem adicional de David Milliken, Sam Tabahriti e William James)

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