Por que caminhões elétricos ainda não ganharam escala nos EUA?

Alta do diesel pressiona o transporte, mas vendas de veículos pesados elétricos ainda são residuais no país, diz 'NYT'

18 abr 2026 - 10h11

Apesar da alta recente no preço do diesel e do avanço de fabricantes como a Tesla, os caminhões elétricos ainda não ganharam escala nos Estados Unidos. É o que mostra reportagem do The New York Times, que aponta que, mesmo com mudanças no cenário econômico, a adoção segue limitada.

O tema ganhou força em meio à disparada no preço do diesel, que chegou a US$ 5,64 por galão, acumulando alta superior a 50% em um ano. O aumento tem pressionado o setor de transporte rodoviário, reduzindo margens e forçando empresas a repassar custos.

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Segundo a reportagem, empresários do setor relatam que o lucro foi praticamente eliminado, mesmo com a adoção de sobretaxas de combustível. Distribuidores de alimentos também elevaram os preços do frete para compensar o encarecimento da operação.

Nesse contexto, a expectativa em torno dos caminhões elétricos voltou a crescer. A Tesla anunciou que pretende iniciar a produção em massa de seus caminhões elétricos ainda este ano, após sucessivos adiamentos.

Ainda assim, a transição avança lentamente. Em 2024, quase 500 mil caminhões médios e pesados foram vendidos nos Estados Unidos, mas menos de 2 mil eram elétricos. O dado mostra que, apesar do interesse crescente, a tecnologia ainda representa uma fração mínima do mercado.

A reportagem destaca que há benefícios ambientais e de saúde associados à substituição do diesel. Caminhões médios e pesados respondem por cerca de 7% das emissões de gases de efeito estufa no país, que é um dos que mais poluem no mundo. Além disso, veículos a diesel emitem até dez vezes mais material particulado fino do que carros a gasolina, o que está associado a milhares de mortes por ano, segundo organizações ambientais.

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Mesmo com esses fatores, o custo elevado dos veículos, a necessidade de infraestrutura de recarga e as limitações operacionais ainda são barreiras para a adoção em larga escala.

E no Brasil?

No Brasil, o cenário é ainda mais incipiente. Apesar da produção local e do avanço das importações, os caminhões elétricos representam apenas 0,4% das vendas de veículos zero-quilômetro no país, segundo dados da consultoria Mirow. Modelos como o e-Delivery, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, já estão em operação, principalmente em rotas urbanas, mas ainda longe de uma adoção em larga escala.

Caminhão elétrico Volvo FM Electric está em testes no Brasil
Caminhão elétrico Volvo FM Electric está em testes no Brasil
Foto: Volvo/Divulgação / Estadão

Assim como nos Estados Unidos, os principais entraves passam pelo custo elevado dos veículos e pela infraestrutura. Embora o Brasil tenha mais de 2.300 estações públicas de recarga, apenas uma parcela atende veículos pesados, e muitas rodovias ainda não contam com acesso à rede elétrica adequada para carregadores de alta potência. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Anfavea indicam que os elétricos podem chegar a até 8% da frota até 2030, mas isso depende de políticas públicas, redução de custos e expansão da infraestrutura, desafios que também ajudam a explicar por que a tecnologia ainda não "decolou" nem no mercado americano.

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