Apesar da alta recente no preço do diesel e do avanço de fabricantes como a Tesla, os caminhões elétricos ainda não ganharam escala nos Estados Unidos. É o que mostra reportagem do The New York Times, que aponta que, mesmo com mudanças no cenário econômico, a adoção segue limitada.
O tema ganhou força em meio à disparada no preço do diesel, que chegou a US$ 5,64 por galão, acumulando alta superior a 50% em um ano. O aumento tem pressionado o setor de transporte rodoviário, reduzindo margens e forçando empresas a repassar custos.
Segundo a reportagem, empresários do setor relatam que o lucro foi praticamente eliminado, mesmo com a adoção de sobretaxas de combustível. Distribuidores de alimentos também elevaram os preços do frete para compensar o encarecimento da operação.
Nesse contexto, a expectativa em torno dos caminhões elétricos voltou a crescer. A Tesla anunciou que pretende iniciar a produção em massa de seus caminhões elétricos ainda este ano, após sucessivos adiamentos.
Ainda assim, a transição avança lentamente. Em 2024, quase 500 mil caminhões médios e pesados foram vendidos nos Estados Unidos, mas menos de 2 mil eram elétricos. O dado mostra que, apesar do interesse crescente, a tecnologia ainda representa uma fração mínima do mercado.
A reportagem destaca que há benefícios ambientais e de saúde associados à substituição do diesel. Caminhões médios e pesados respondem por cerca de 7% das emissões de gases de efeito estufa no país, que é um dos que mais poluem no mundo. Além disso, veículos a diesel emitem até dez vezes mais material particulado fino do que carros a gasolina, o que está associado a milhares de mortes por ano, segundo organizações ambientais.
Mesmo com esses fatores, o custo elevado dos veículos, a necessidade de infraestrutura de recarga e as limitações operacionais ainda são barreiras para a adoção em larga escala.
E no Brasil?
No Brasil, o cenário é ainda mais incipiente. Apesar da produção local e do avanço das importações, os caminhões elétricos representam apenas 0,4% das vendas de veículos zero-quilômetro no país, segundo dados da consultoria Mirow. Modelos como o e-Delivery, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, já estão em operação, principalmente em rotas urbanas, mas ainda longe de uma adoção em larga escala.
Assim como nos Estados Unidos, os principais entraves passam pelo custo elevado dos veículos e pela infraestrutura. Embora o Brasil tenha mais de 2.300 estações públicas de recarga, apenas uma parcela atende veículos pesados, e muitas rodovias ainda não contam com acesso à rede elétrica adequada para carregadores de alta potência. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Anfavea indicam que os elétricos podem chegar a até 8% da frota até 2030, mas isso depende de políticas públicas, redução de custos e expansão da infraestrutura, desafios que também ajudam a explicar por que a tecnologia ainda não "decolou" nem no mercado americano.