PGR arquiva pedido de afastamento de Dias Toffoli em caso do Banco Master

Procurador-geral Paulo Gonet decide que representação sobre suposto impedimento do magistrado em caso do Banco Master não requer providências adicionais

22 jan 2026 - 21h10

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento do pedido formulado por deputados federais para afastar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria de um inquérito envolvendo o Banco Master. A representação questionava a imparcialidade do magistrado após a divulgação de informações sobre uma viagem internacional realizada pelo ministro, segundo o g1.

Dias Toffoli
Dias Toffoli
Foto: ASCOM/STF / Perfil Brasil

Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC) acionaram a Procuradoria-Geral da República solicitando a declaração de impedimento e suspeição de Toffoli. O argumento central baseava-se na presença do ministro em um voo particular para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América, na companhia de um advogado que representa um dos diretores da instituição financeira investigada.

Publicidade

Em seu despacho, Paulo Gonet afirmou que não há medidas a serem aplicadas no momento. Segundo o procurador-geral, os fatos relatados na representação já se encontram sob análise no próprio Supremo Tribunal Federal, contando com o acompanhamento regular da PGR.

O deslocamento ocorreu em 28 de novembro de 2025, um dia após Dias Toffoli ter sido sorteado relator de um recurso ligado ao Banco Master. O magistrado viajou na aeronave de propriedade do empresário Luiz Oswaldo Pastore. No mesmo voo estavam o ex-deputado Aldo Rebelo e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance da instituição.

O Banco Master é o foco da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras. Relatos de interlocutores do ministro indicam que Toffoli confirmou a viagem e a presença do advogado no avião, mas negou que o processo judicial tenha sido tema de conversa durante o trajeto. Segundo a defesa do magistrado, a relação de amizade é com o proprietário da aeronave, e não com os investigados.

A cronologia dos fatos apresentada indica que, em 28 de novembro, Toffoli tornou-se relator de um recurso inicial. Em 3 de dezembro, o advogado Augusto Arruda Botelho protocolou novo recurso em favor de seu cliente. Na mesma data, o ministro decidiu converter o inquérito para regime de sigilo e transferiu a competência da investigação para o STF.

Publicidade

A justificativa para a decretação do segredo de justiça, segundo interlocutores de Toffoli, reside na proteção de dados econômicos que poderiam causar instabilidade no mercado financeiro. O Supremo Tribunal Federal informou que não emitirá pronunciamentos sobre o episódio. Até a publicação desta reportagem, o ministro não enviou esclarecimentos diretos.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações