PCC e CV estão em 12 estados americanos, diz governo dos EUA

30 mai 2026 - 06h06

Representante do Departamento de Estado dos EUA, responsável pela classificação de grupos terroristas estrangeiros, descartou intervenção militar e interferência nas eleições brasileiras.A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou na sexta-feira (29/05) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão presentes em 12 estados americanos. Questionada por veículos de imprensa brasileiros sobre a decisão de enquadrar essas facções criminosas como terroristas, ela não detalhou quais os locais em que essa presença foi detectada pelo FBI e outros órgãos do governo.

Na quinta-feira (28/05), o departamento anunciou a decisão do governo americano de classificar os dois grupos como organizações terroristas estrangeiras, dois dias depois da visita do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro ao presidente americano Donald Trump.

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"Sabemos que estes dois grupos, o PCC e o CV, estão atuando dentro do Brasil, mas também em outros países. Inclusive identificamos suas atividades em 12 estados aqui nos Estados Unidos", afirmou à Folha de S.Paulo.

A classificação amplia o leque de sanções e outras medidas que podem ser adotadas pelos Estados Unidos contra grupos e pessoas supostamente ou comprovadamente ligadas às duas facções criminosas brasileiras, incluindo bloqueio de bens, transações financeiras e de vistos. A medida também amplia os recursos de inteligência e militares dos Estados Unidos para o combate a essas organizações.

A decisão levantou temores entre especialistas sobre riscos à soberania brasileira e à cooperação internacional entre polícias no combate ao crime organizado, uma vez que investigações envolvendo essas organizações passarão para uma esfera militar e para o escopo da CIA, com níveis maiores de sigilo.

Para a Folha de S.Paulo, Roberson afirmou que a decisão foi tomada com base em avaliações de segurança nacional e faz parte da estratégia da administração Trump de utilizar "todas as ferramentas disponíveis" para proteger o território americano. Segundo ela, a classificação não prevê qualquer tipo de intervenção militar.

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A porta-voz afirmou que os grupos enquadrados como terroristas atuam em território americano com o tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando e movimentação de recursos financeiros ilícitos. "Eles manejam fluxos e redes financeiras ilícitas. Apresentam uma ameaça não só para a segurança dentro do Brasil, mas também em outros países", disse à Folha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a decisão. "Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta", afirmou Lula, em discurso durante evento em Sergipe.

Em nota, o Planalto disse que o Brasil é uma "nação soberana" e "não aceitará o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar" a soberania e a economia brasileiras.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros", sustenta a nota.

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Em entrevistas à Folha e à Globo, Roberson negou uma possível intervenção americana nas eleições brasileiras e afirmou que "o presidente do Brasil é decisão dos brasileiros".

sf (ots)

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