O uso de enxaguante bucal pode afetar a saúde do seu coração? Conheça estudos que apontam o risco

Pesquisas indicam que fórmulas potentes de enxaguante bucal alteram a microbiota e podem influenciar a pressão arterial em casos específicos

19 abr 2026 - 21h14

O uso de enxaguante bucal é um passo importantíssimo na rotina de muitos brasileiros, porém, vídeos virais estão deixando a população preocupada. Nas redes sociais,  o debate questiona se o uso de enxaguante bucal poderia aumentar a pressão arterial e prejudicar a saúde do coração. As afirmações são de que o produto eliminaria bactérias benéficas que são vitais para o sistema cardiovascular. Embora exista um fundo de verdade científica nessa preocupação, a relação real entre o produto e o organismo é mais sutil e depende drasticamente do tipo de fórmula utilizada pelo consumidor. Especialistas apontam que o risco não está no uso de produtos comuns, mas no uso frequente de antissépticos de alta potência, como a clorexidina.

Entenda se o enxaguante bucal faz mal ao coração
Entenda se o enxaguante bucal faz mal ao coração
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

O caso do enxaguante bucal

O microbioma bucal é um ecossistema complexo que auxilia em funções metabólicas essenciais, incluindo a conversão do nitrato da dieta em nitrito. Esse processo é o primeiro passo para a produção de óxido nítrico no corpo humano, uma molécula que atua diretamente na dilatação dos vasos sanguíneos e na manutenção da pressão em níveis saudáveis. O pesquisador Nathan Bryan, PhD, da Baylor College of Medicine, conduziu um estudo com adultos saudáveis para entender como agentes químicos interferem nesse ciclo. Segundo Nathan Bryan, a utilização de fórmulas com clorexidina duas vezes ao dia "alterou a microbiota oral, reduziu a atividade de bactérias ligadas à produção de óxido nítrico e esteve associado a aumento da pressão sistólica".

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Os resultados do estudo

Reforçando essa linha de raciocínio, uma pesquisa publicada no Journal of Oral Microbiology comparou o impacto de diferentes substâncias em 45 voluntários. Os resultados demonstraram que, enquanto a clorexidina prejudicou a atividade bacteriana essencial, alternativas como o enxaguante bucal à base de própolis apresentaram um impacto significativamente menor, sem causar o mesmo efeito negativo no sistema de regulação da pressão. Isso indica que a agressividade do agente antisséptico é o fator determinante para o surgimento de riscos colaterais.

A maioria dos estudos que correlacionam o uso de enxaguante bucal a alterações cardiovasculares foca na clorexidina, que é um medicamento prescrito para situações pontuais, como pós-operatórios ou gengivites severas. Por possuir uma ação antimicrobiana muito intensa, ela acaba eliminando as bactérias responsáveis pela síntese do nitrito. Portanto, os dados científicos atuais não devem ser aplicados indiscriminadamente aos enxaguantes suaves de uso cotidiano, como os que contêm flúor. Não há evidências de que o enxaguante comum, utilizado na higiene diária, possua o mesmo potencial de elevar a pressão arterial. O álcool presente em algumas fórmulas ainda carece de estudos mais profundos para que se determine sua influência direta na saúde do coração a longo prazo.

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