O que se sabe sobre tentativa de suicídio de Sicário, ex-ajudante de Vorcaro

5 mar 2026 - 06h35
(atualizado às 07h23)

Apontado pela PF como ex-ajudante do banqueiro Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão é suspeito de coordenar grupo que intimidava desafetos do dono do Banco Master. PF e defesa não confirmam morte cerebral.Apontado pela Polícia Federal (PF) como ajudante de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o investigado Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", preso nesta quarta-feira (04/03) no âmbito da Operação Compliance Zero, teve a morte cerebral decretada após tentativa de suicídio, segundo a imprensa brasileira.

De acordo com a PF, Mourão foi encontrado na cela da superintendência da corporação em Minas Gerais ainda nesta quarta-feira, mesmo dia em que foi preso por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Ao o encontrarem desacordado, os policiais tentaram reanimá-lo e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou ao hospital João 23, em Belo Horizonte. Lá, os médicos deram início a um protocolo para confirmar a morte cerebral do investigado.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ele não teria sobrevivido - morte cerebral no Brasil é considerado como óbito. A notícia da morte circulou pela imprensa brasileira, mas até o final da noite não havia sido confirmada nem pela PF, nem pela defesa do suspeito.

Em nota, a defesa afirmou que esteve com Mourão até por volta das 14h, "quando ele se encontrava em plena integridade física e mental". "A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal", diz o texto, assinado por Robson Lucas e Vicente Salgueiro.

A PF diz que o caso será investigado, e que as provas colhidas serão entregues ao gabinete de Mendonça, relator do processo do caso Master no STF.

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Quem é "Sicário", ex-ajudante de Vorcaro

De acordo com as investigações da PF, Luiz Phillipi Mourão, de 43 anos, atuava como ajudante de Daniel Vorcaro, também preso nesta quarta no âmbito de uma investigação sobre crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master.

Vorcaro, que já havia sido detido por 11 dias em novembro, voltou a ser preso desta vez sob suspeita de tentar obstruir as investigações.

Chamado pelo banqueiro de "Sicário" (matador de aluguel), Mourão seria o coordenador de uma estrutura informal denominada "A Turma", responsável pela "execução das ações de vigilância, intimidação e obtenção de dados" de desafetos do empresário.

Os serviços da "turma" - que incluíam atos de intimidação de concorrentes, ex-empregados e jornalistas - seriam remunerados com R$ 1 milhão mensais, segundo a PF.

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Em uma das mensagens que a PF afirma ter encontrado nos celulares dos investigados, Vorcaro pede a Mourão para "levantar tudo" sobre um funcionário, o instrui a "moer" outra funcionária a quem chamou de "vagabunda" e a "dar um sacode" em outra pessoa para "assustar".

Outro alvo do grupo seria Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. "Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele", escreve Vorcaro sobre Jardim. "Vou fazer isto", responde Mourão. Em nova troca de conversas, Vorcaro diz: "Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".

Mourão, então, diz que está "em cima" para derrubar os "links negativos". Sobre o indicativo de "dar um pau" no jornalista, Mourão pergunta: "Pode? Vou olhar isso…". Segundo a investigação, Vorcaro responde que "sim".

Após as mensagens virem à tona, o banqueiro disse em nota que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto". A defesa de Mourão também nega participação dele em crimes.

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Acesso a bases de dados até do FBI

Segundo a PF, Mourão usava credenciais de terceiros para acessar indevidamente bases de dados da própria PF, do Ministério Público e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

As mensagens ainda indicam que o investigado atuava na articulação de medidas voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais, simulando solicitações oficiais de órgãos públicos.

"Essa atuação envolvia o envio de comunicações institucionais ou documentos sem validação formal, com o objetivo de obter dados de usuários ou promover a retirada de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo", diz a decisão assinada por Mendonça.

Esquema de pirâmide

Mourão já era conhecido das autoridades. Ele é réu por lavagem de dinheiro e organização criminosa em um processo sobre um esquema de pirâmide que funcionou entre 2018 e 2021. A denúncia contra ele foi apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais e aceita pela Justiça em 2021.

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Se você enfrenta problemas emocionais e tem pensamentos suicidas, não deixe de procurar ajuda profissional. Você pode buscar ajuda neste site: https://www.befrienders.org/portugese

ra/cn (Agência Brasil, ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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