A trajetória de Day Titon, CEO da fabricante de energéticos Baly, é uma prova viva de que o sucesso não nasce apenas de planos de negócios, mas de uma paixão visceral herdada no pátio da fábrica. Desde pequena, sua curiosidade a levava a circular entre os colaboradores, fingindo ser vendedora e absorvendo cada detalhe da produção de bebidas. Esse "mundo imaginário" da infância tornou-se a base sólida para uma das sucessões familiares mais bem-sucedidas do país.
Em entrevista emocionante ao programa CARAS Business, a executiva relembrou os tempos em que a operação era artesanal. "Começar enchendo as garrafinhas com a tampinha, batendo um martelinho nas rolhas de vinho, que a gente fabricava vinhos e cachaças, quando tudo começou há 30 anos. Aquilo ali para mim foi uma experiência magnífica, assim, de participar de tudo, toda todas as áreas da empresa, trabalhar brincando, sabe?", recorda a empresária.
Day Titon explica estratégia por trás do sucesso da Baly
O grande marco ocorreu em 2009, quando a empresa decidiu desafiar o padrão de mercado dominado por latinhas caras e inacessíveis. Ao lançar o primeiro energético em embalagem PET do Brasil, a marca democratizou o consumo. "A Baly em 2009 lança o primeiro energético PET. Democratiza de uma vez por todo o mercado brasileiro em energético, dando acesso, dando oportunidade. A gente quando eu recordo, a Baly trouxe inovação, né? A gente trouxe uma inovação, algo inovador, aquilo que já existia, mas inovador, trazendo uma embalagem diferente", explica.
No entanto, o verdadeiro amadurecimento como líder veio em 2017. Após uma crise interna em 2015, seu irmão sugeriu que ela assumisse o front comercial. Day, que até então atuava nos bastidores financeiros, precisou "mergulhar no seu protagonismo". Ela revela que o sucesso atual da marca — que hoje encara gigantes globais de igual para igual — vem da coragem de ouvir o cliente de forma genuína. "Sabe o que eu mais aprendi nesse estudo? Que a partir do momento que a gente se abre a ouvir as pessoas, a escutativa que tanto se fala, a gente vira uma máquina de inovação. Porque a gente está disposto a ouvir os defeitos, as críticas, as melhorias, sabe? Isso transformou muito a nossa história", destaca a CEO.
Família e maternidade
Além da vida corporativa, a trajetória de Day é marcada pelo equilíbrio delicado entre ser mãe e empresária de alto impacto. Ela faz questão de destacar o apoio do marido, que foi sua rede de apoio fundamental para que pudesse viajar e expandir a marca pelo Brasil. Para ela, o objetivo é ser para as filhas o que o pai foi para ela: um espelho de alegria e paixão pelo trabalho. "Eu acredito muito que a gente tem que ter fãs em casa. Então, quando tá tudo bem, quando tá tudo bem é quando a gente ainda tem fãs em casa, né? Continua admirando a gente, por mais que a gente esteja nesse corre-corre, ela continua te admirando", conclui.