Novo 7 a 1 é celebrado com alegria cautelosa na Alemanha

15 jun 2026 - 15h41

Torcedores celebraram goleada contra Curaçao, mas vitória contra pequena nação estreante em Copas foi tratada com cautela por analistas esportivos, que ainda desconfiam da seleção alemã após fiascos em 2018 e 2022.O 7 a 1 da Alemanha sobre Curaçao na partida de estreia na Copa do Mundo 2026, no último domingo (14/06), pode ter evocado lembranças desagradáveis no Brasil, mas o tom geral na imprensa alemã, apesar de alegre, ainda não sugere confiança absoluta no favoritismo do país ao título.

Jornal "Die Zeit" chamou a vitória sobre Curaçao de "enxurrada de gols contra o trauma" da Alemanha pelos fiascos nas Copas de 2018 e 2022, e vê chance para o penta
Jornal "Die Zeit" chamou a vitória sobre Curaçao de "enxurrada de gols contra o trauma" da Alemanha pelos fiascos nas Copas de 2018 e 2022, e vê chance para o penta
Foto: DW / Deutsche Welle

O tabloide Bild, um dos mais lidos da Alemanha, celebrou o "nosso primeiro 7 a 1 da Copa desde a semifinal contra o Brasil" e lembrou que o país não vencia um jogo de estreia no torneio desde 2014, quando se consagrou tetracampeão. "Houston, desta vez não temos NENHUM problema com o lançamento", publicou o tabloide, em referência à cidade dos EUA que sediou à partida e que também abriga um centro de controle da agência espacial Nasa.

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O portal t-online, por sua vez, destacou que a vitória de lavada fez a Alemanha desbancar o Brasil do primeiro lugar em número de gols marcados em Copas.

Para o Die Zeit, a goleada sobre Curaçao lavou um trauma das Copas de 2018 e 2022, quando a seleção alemã perdeu nos jogos de estreia contra México e Japão, respectivamente, e acabou eliminada ainda na fase de grupos. Com a "enxurrada de gols", o jornal vê a Alemanha agora mais perto do penta. Ainda assim, o desempenho dos jogadores teria ficado abaixo do potencial.

Também o Süddeutsche Zeitung falou em "uma vitória de estreia leve e descontraída" depois dos fiascos de 2018 e 2022.

Menos entusiasmado soou um comentário no Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), segundo o qual a sorte dos alemães foi ter tido Curaçao como primeiro adversário: "Com a vitória de 7 a 1 no jogo de estreia da Copa do Mundo, a seleção ganhou principalmente uma coisa: tempo."

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Tom parecido adotou o Die Welt, também entre os mais lidos da Alemanha, que elogiou o "começo quase perfeito", mas frisou que o placar "não é bom presságio": "O gol do tremendo azarão [Curaçao] foi totalmente desnecessário."

Também o Tagesspiegel soou cauteloso ao dizer que o ataque alemão empolga, mas a defesa ainda deixa a desejar.

Veja, abaixo, como a imprensa alemã repercutiu o novo 7 a 1 alemão.

Die Welt: "Quando o placar não é um bom presságio"

"A seleção alemã comemorou, na estreia da Copa do Mundo, uma vitória expressiva sobre Curaçao. Em Houston, a equipe da DFB venceu o franco azarão por 7 a 1. Um resultado que naturalmente lembra a semifinal da Copa de 2014 contra o Brasil e que pode ser um bom presságio.

Foi o segundo maior triunfo da DFB na longa história do torneio. Na Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, a seleção havia vencido a Arábia Saudita por 8 a 0 na estreia e depois chegou até a final. Um 7 a 1 também já havia ocorrido no torneio de 2014 contra o anfitrião Brasil - e, ao final, a Alemanha conquistou o título mundial. Nas duas últimas Copas, a Alemanha perdeu o primeiro jogo e foi eliminada ainda na fase de grupos; agora, conseguiu pela primeira vez desde 2014 uma vitória na estreia.

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A equipe do técnico Julian Nagelsmann foi amplamente superior contra Curaçao nessa partida unilateral, mas cometeu algumas desatenções no primeiro tempo que levaram a um gol desnecessário do adversário. Além disso, a vitória poderia ter sido ainda maior [em número de gols]."

FAZ: "A seleção deu sorte"

"Com um 7 a 1 começou este torneio para os alemães, esta Copa do Mundo - que é tão grande que até o 82º colocado do ranking mundial pode participar. Assim como, aliás, o 84º (Haiti) e o 85º (Nova Zelândia). Por causa desse tamanho, pela primeira vez também oito terceiros colocados dos grupos avançam para o mata-mata. Assim, é muito alta a probabilidade, diante dos sete gols, de que o torneio termine de outra forma para a Alemanha que em 2018 e 2022.

Um adversário tão bom [quanto México e Japão] a seleção não teve no domingo, no estádio em Houston. Isso foi importante. Pois, após esses 90 minutos, apesar dos sete gols, não se pode afirmar com total convicção que teria vencido este primeiro jogo se o adversário, em vez de Curaçao, tivesse sido a Costa do Marfim ou o Equador. [...]

Com esse jogo de estreia contra esse adversário estreante, os alemães ganharam sobretudo tempo."

Der Spiegel: " Dá para se alegrar com esta noite, mas ninguém precisa enlouquecer ainda"

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"Depois de apenas um jogo, são boas as chances de que a Alemanha volte, pela primeira vez desde a Copa do Mundo de 2014, à fase de mata-mata. Com a ampliação de 32 para 48 equipes, não avançam apenas os dois melhores de cada grupo, mas também oito dos 12 terceiros colocados. Graças à vitória clara na estreia, a seleção alemã está no caminho certo para isso. Dá para se alegrar com esta noite, mas ninguém precisa enlouquecer ainda. Contra as seleções muito mais fortes da Costa do Marfim e do Equador ainda é possível estragar muita coisa na fase de grupos - nem que seja apenas o bom clima que acabou de ser conquistado."

Sportschau: "Comemoração de Nagelsmann mostra o peso que saiu de suas costas"

"Mesmo que o adversário do Caribe seja um estreante em Copas do Mundo, ocupando a 82ª posição no ranking mundial e contando com muitos jogadores no elenco que atuam em clubes medianos de ligas de segunda divisão, ainda assim na Alemanha falava-se com frequência de certa tensão. Afinal, era o primeiro jogo desta Copa, era a estreia de alguns jogadores em um Mundial, e também para o técnico Julian Nagelsmann era uma estreia.

Sua comemoração após o rápido 1 a 0 marcado por Felix Nmecha e o 2 a 1 por Nico Schlotterbeck evidenciou a tensão que pesava sobre ele."

t-online: "Alemanha lidera ranking da Copa"

"Diante do grande número de jogos da Alemanha com tantos gols, não surpreende que a equipe da DFB esteja há décadas entre as mais eficientes em finais de Copa do Mundo. Desde a noite de domingo, a seleção alemã lidera inclusive o ranking histórico de gols marcados em Copas. Contra Curaçao, Felix Nmecha, Nico Schlotterbeck, Kai Havertz, Jamal Musiala, Deniz Undav e Nathaniel Brown fizeram os gols de número 233 a 239. O Brasil, que antes liderava a lista, soma 238 gols desde o empate em 1:1 contra o Marrocos."

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Die Zeit: "Uma enxurrada de gols contra o trauma"

"Quando Curaçao marcou o surpreendente gol de empate, os fantasmas de Moscou e Doha assombraram Houston. [...] Por cerca de cinco minutos, a Alemanha esteve vulnerável e o medo dominou. Julian Nagelsmann admitiria após o apito final que sua equipe pode ter tido na cabeça as duas últimas Copas do Mundo nessa fase. [...]

Mas tudo ficou nesses cinco minutos. O time de Nagelsmann superou o revés, processou o trauma de forma rápida e completa — e o fez com uma enxurrada de gols.

A equipe alemã não esteve livre de falhas na vitória contra Curaçao. Mas, finalmente, voltou a vencer um jogo de estreia em Copa do Mundo — e marcou quase tantos gols quanto nas duas Copas anteriores somadas. [...] É normal que o 7:1 provoque alívio, além de sinais de euforia. Afinal, segundo a superstição, sempre que a Alemanha vence uma partida por 7:1 em uma Copa do Mundo, torna-se campeã. [...]

Na defesa, Curaçao foi especialmente inferior, tanto tecnicamente quanto fisicamente. Uma vitória por dois dígitos teria sido possível."

Tagesspiegel: "O ataque empolga; a defesa, ainda não"

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"A seleção alemã de futebol demonstrou claramente no domingo, em Houston, que se divertiu muito em sua estreia na Copa do Mundo na América do Norte. Marcou sete gols contra o grande azarão Curaçao. Mas, mesmo quando a partida já estava decidida há muito tempo, a equipe não relaxou, continuou firme na busca por mais gols. [...]

Que a força da seleção nacional está no ataque não chega a ser uma surpresa — embora não se deva tirar conclusões definitivas a partir de uma atuação contra um time como Curaçao. Já é possível constatar, porém, que a defesa ainda precisa melhorar bastante. Principalmente porque Curaçao não representa o mais alto nível do futebol mundial e, ainda assim, não só marcou um gol, como também conseguiu, ao menos em alguns momentos, jogar perigosamente no ataque.

Considerando a qualidade do adversário, em alguns momentos foi bastante caótico como os alemães se comportaram na recomposição defensiva. Eles deixaram espaços que deveriam permanecer fechados e nem sempre pareceram perfeitamente sincronizados entre si."

taz: "Fácil demais e um pouco instrutivo"

"Uma vitória clara, sem dúvida. Ainda assim, a partida em Houston forneceu muito material para revisão pela comissão técnica da DFB. Alguns belos entrosamentos. Com frequência excessiva, muita correria e imprecisão nos passes antes do intervalo. Dedicação na recuperação da bola. Muitos quilômetros percorridos. Às vezes havia ritmo no jogo, em outras os alemães não conseguiam acompanhar os próprios passes. Houve momentos de claro pânico no primeiro tempo, quando jogadores de Curaçao, às vezes com excesso de entusiasmo, partiam em alta velocidade para cima de quem estava com a bola. Por quê, afinal?

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[...] Só mais tarde veio um pouco mais de calma no jogo — e talvez a constatação de que o estreante em Copas Curaçao não era realmente um adversário competitivo."

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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