O cenário da saúde pública e ocupacional no Brasil registra um índice histórico afastamentos mentais no Brasil. Dados oficiais do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2025, 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais e comportamentais. O volume representa uma alta de 15,66% em relação aos 470 mil casos contabilizados no ano anterior. Diante deste quadro, a neuronutrição e a atualização da NR-1 surgem como mecanismos de intervenção e regulação.
A neuronutrição é uma disciplina que integra os fundamentos da neurociência à ciência da nutrição para monitorar o funcionamento do sistema nervoso central. De acordo com a nutricionista Marcela Paloro, especialista na área, a abordagem integra conhecimentos para compreender as necessidades do cérebro e garantir o fornecimento adequado de nutrientes.
O foco técnico é a análise de como a ingestão de substâncias influencia a bioquímica cerebral, a produção de neurotransmissores, a neuroplasticidade e as sinapses. Paloro afirma que a missão da modalidade é "devolver 'voz' ao cérebro nutrido, permitindo que ele retome seu papel natural na condução das escolhas". Segundo a especialista, "quando o cérebro é nutrido, os sintomas silenciam, a energia desperta e a vida volta a acontecer de verdade".
Na prática clínica, a metodologia é aplicada a diversos grupos, incluindo pacientes com sintomas de ansiedade e depressão, estudantes sob alta demanda cognitiva e idosos em protocolos de prevenção ao declínio cognitivo. O atendimento baseia-se em rastreamento clínico, utilizando questionários de sinais e sintomas, anamnese adaptada e análise de exames bioquímicos. Paloro relata que as queixas mais frequentes em consultório, abrangendo desde crianças a idosos, são a ansiedade e a baixa energia física e mental.
Após a intervenção, os registros apontam melhorias na qualidade do sono, na concentração e no humor. Para a nutricionista, o futuro da área é promissor: "Vamos deixar de falar apenas em nutrir o corpo para falar em nutrir o cérebro. A abordagem da Neuronutrição é fundamental tanto no rastreamento de transtornos mentais quanto na prevenção e no tratamento de doenças neurológicas, psiquiátricas e distúrbios do neurodesenvolvimento", conclui.
No âmbito legal, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com vigência estabelecida para 26 de maio de 2026, redefine os padrões de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). A alteração central é a inclusão compulsória dos fatores de risco psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
As empresas passam a ter a obrigação de revisar seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) para identificar e mitigar variáveis como estresse ocupacional, síndrome de burnout, sobrecarga de trabalho, jornadas exaustivas, assédio moral e ambientes organizacionais tóxicos. A convergência entre a neuronutrição e a nova legislação trabalhista sinaliza uma mudança estrutural, onde a gestão de riscos biológicos e psicológicos compõe as estratégias de prevenção e tratamento de doenças no ambiente laboral.