Xi Jinping defende cooperação com Vladimir Putin e 'respeito mútuo' nas relações com Donald Trump

O presidente chinês, Xi Jinping, conversou nesta quarta-feira (4) com seu homólogo russo, Vladimir Putin, e, em seguida, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao falar com o líder de Kremlin, ele defendeu a cooperação bilateral em nome da estabilidade global. Já na conversa com o chefe da Casa Branca, ressaltou a importância do "respeito mútuo" para a solução das divergências entre Pequim e Washington.

4 fev 2026 - 16h31

Jelena Tomic, da RFI em Paris, com agências

Os líderes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, defenderam nesta quarta-feira (4), durante uma videoconferência, um aprofundamento da cooperação bilateral em nome da "estabilidade" global, segundo a imprensa estatal e autoridades dos dois países.

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"As duas partes devem (…) garantir que as relações sino-russas continuem a se desenvolver de forma estável e na direção correta, por meio de uma coordenação estratégica mais aprofundada", afirmou o presidente chinês a seu homólogo russo, de acordo com comunicado da emissora estatal CCTV. "Como grandes países responsáveis e membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, China e Rússia têm a obrigação de incentivar a comunidade internacional a defender a equidade e a justiça (…) e de manter conjuntamente a estabilidade estratégica global", destacou Xi Jinping.

Um novo ciclo de negociações entre representantes da Ucrânia e da Rússia, com a participação dos Estados Unidos, começou nesta quarta-feira em Abu Dhabi, na tentativa de encontrar uma saída para quatro anos de guerra. Segundo o assessor diplomático do presidente russo, Yuri Ushakov, esses esforços em busca de um acordo foram abordados durante a conversa entre os dois líderes, da qual apenas o início foi divulgado pelo Kremlin. Xi Jinping "apoia as negociações tripartites em Abu Dhabi", garantiu Ushakov.

Segundo Cyrille Bret, especialista do Instituto Montaigne, essa parceria estratégica sino-russa não está livre de rivalidades. "A parceria estratégica Rússia-China é um dos eixos estruturantes da ordem internacional no século 21. Ela surgiu no início dos anos 2000, com a Organização de Cooperação de Xangai e com múltiplas iniciativas econômicas, militares, de segurança, tecnológicas e financeiras", afirmou em entrevista à RFI.

"Trata-se de um eixo que vai muito além da questão ucraniana. Essa parceria também não é harmoniosa, nem isenta de competição. Os dois países disputam a liderança na Eurásia, na Ásia Central, e também competem para se afirmar como porta-vozes do Sul Global. No caso ucraniano, China e Rússia não estão alinhadas", explicou.

"Respeito mútuo"

Algumas horas depois, Xi Jinping conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a agência Xinhua, o líder chinês afirmou que os dois países podem resolver suas divergências bilaterais com base no "respeito mútuo".

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"Ao tratar as questões uma a uma e construir gradualmente a confiança mútua, podemos abrir um caminho correto para que nossos dois países coexistam", declarou Xi. "Façamos de 2026 um ano em que China e Estados Unidos, como grandes potências, avancem rumo ao respeito mútuo, à coexistência pacífica e a uma cooperação de benefício recíproco", acrescentou.

Xi Jinping também advertiu Donald Trump de que os Estados Unidos devem agir "com cautela" nas vendas de armas a Taiwan. "A questão taiwanesa é o tema mais importante das relações sino-americanas. Taiwan faz parte do território chinês. A China tem o dever de defender sua soberania e sua integridade territorial e jamais permitirá que Taiwan seja separado da China. Os Estados Unidos devem agir com extrema prudência na questão das vendas de armas a Taiwan", afirmou o presidente chinês.

Por sua vez, Trump declarou que a relação dos Estados Unidos com a China, assim como sua relação pessoal com Xi Jinping, é "extremamente boa".

"Foi uma conversa longa e aprofundada, durante a qual muitos temas importantes foram discutidos, incluindo comércio, defesa, a viagem que farei à China em abril (e pela qual estou muito ansioso), Taiwan, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a situação no Irã, a compra de petróleo e gás norte-americanos pela China, o projeto chinês de adquirir mais produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo o aumento da quantidade de soja em 20 milhões de toneladas nesta temporada", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

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