Homem condenado por tentar assassinar Trump sentenciado à prisão perpétua

4 fev 2026 - 16h35

Ryan Routh, homem acusado de se esconder nos arbustos de um campo de golfe na Flórida com um rifle semiautomático para tentar assassinar Donald Trump menos de dois meses antes das eleições americanas de 2024 que o levaram de volta à presidência, foi sentenciado nesta quarta-feira à prisão perpétua.

Routh, de 59 anos, foi condenado por ‌um júri em setembro passado por cinco acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato, após atuar como seu próprio advogado de defesa no julgamento. A juíza federal Aileen Cannon ‌proferiu a sentença em Fort Pierce, Flórida.

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Os promotores recomendaram prisão perpétua, enquanto Routh pediu à juíza, nomeada por Trump, que impusesse uma pena de 27 anos. Segundo a acusação, os crimes de Routh "inegavelmente justificam prisão perpétua" porque ele planejou o assassinato durante meses, estava disposto a matar qualquer pessoa que se intrometesse e não expressou arrependimento nem remorso.

Em um documento judicial, Routh negou que tivesse a intenção de matar Trump e disse que estava disposto a se submeter a tratamento psicológico para um transtorno ‍de personalidade na prisão. Routh sugeriu que os jurados foram enganados sobre os fatos do caso por sua incapacidade de montar uma defesa legal adequada no julgamento.

Routh, que na época de sua detenção residia no Havaí, também foi condenado por três acusações de posse ilegal de arma de fogo e uma acusação de impedir um agente federal durante sua prisão.

Agentes do Serviço Secreto avistaram Routh escondido em arbustos a algumas centenas de metros de onde Trump ‌jogava golfe no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, em 15 de setembro de 2024. Routh fugiu ‌do local e deixou para trás um rifle de assalto, mas foi preso mais tarde.

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O incidente ocorreu dois meses depois de uma bala passar raspando pela orelha de Trump em um comício de campanha em Butler, Pensilvânia. Os dois incidentes ocorreram nas eleições de novembro de 2024, nas quais Trump reconquistou a Casa Branca após derrota quatro anos antes para o democrata Joe Biden.

Trump, um republicano, transformou as tentativas de assassinato em um tema de campanha, dizendo que o Departamento de Justiça dos EUA sob Biden não era confiável para conduzir as investigações.

Os promotores disseram que Routh chegou ao sul da Flórida cerca de um mês antes do incidente, hospedando-se em um posto de caminhões e acompanhando os movimentos e a agenda de Trump.

Routh carregava seis celulares e usava nomes falsos para ocultar sua identidade, de acordo com as provas do julgamento, e ficou à espreita em arbustos densos por quase 10 horas no dia do incidente, relataram os promotores. Os investigadores no local encontraram o rifle de assalto, duas bolsas contendo placas de metal semelhantes a coletes à prova de balas e uma câmera de vídeo apontada para o campo de golfe.

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Routh se declarou inocente no caso, mas demitiu seus advogados e optou por ser seu próprio representante no julgamento, apesar de não ter qualquer formação jurídica formal.

Sua declaração inicial abordou tópicos como a origem da espécie humana e a colonização do oeste norte-americano antes de ser interrompido por Cannon, que o advertiu contra zombar do tribunal. A estratégia de defesa de Routh se concentrou no que ele descreveu como sua natureza não violenta, mas ele ofereceu pouca resistência enquanto uma série de testemunhas da polícia detalharam as evidências do caso.

O promotor John Shipley disse aos jurados que o plano de Routh era "cuidadosamente elaborado e extremamente ‌sério", acrescentando que, sem a intervenção do Serviço Secreto, "Donald Trump não estaria vivo".

Depois que o júri leu o veredicto, Routh pareceu tentar se esfaquear com uma caneta várias vezes e teve que ser contido pelos policiais federais. Sua filha gritou no tribunal que o pai não havia ferido ninguém e que ela o tiraria da prisão.

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Trump elogiou o veredicto em uma postagem em seu site Truth Social, escrevendo: "Este era um homem malvado com uma intenção malvada, e eles o pegaram".

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