Voos são desviados na Europa por ameaças de bomba; o que se sabe

Os episódios ocorrem poucos dias depois de oito voos europeus terem sido alvo de supostas ameaças de bomba. Nenhum explosivo foi encontrado nos aviões após as buscas.

5 nov 2026 - 08h26
(atualizado às 08h49)
Resumo
Uma onda de ameaças de bomba atingiu diversos voos comerciais na Europa nesta semana, forçando desvios de rota, pousos de emergência e escoltas militares por medidas de segurança. Até o momento, nenhum explosivo foi encontrado após as inspeções nos aviões. Especialistas e autoridades apontam que se tratam de alarmes falsos mal-intencionados, uma tática de baixo custo para os autores, mas que gera impactos operacionais e prejuízos financeiros significativos ao setor aéreo.
Logotipos da Aer Lingus em aeronaves paradas, pintura nas caudas, aviões da Aer Lingus estacionados. 2010. Foto de arquivo.
Logotipos da Aer Lingus em aeronaves paradas, pintura nas caudas, aviões da Aer Lingus estacionados. 2010. Foto de arquivo.
Foto: Press Association / BBC News Brasil

Vários voos na Europa foram alvo de ameaças de bomba nesta quinta-feira (5/11) e alguns tiveram de ser desviados de seus destinos originais, segundo autoridades.

Até o momento não há confirmação de bomba em nenhum dos voos.

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Um Airbus A320 da Aer Lingus que partiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália, na manhã de quinta-feira emitiu um alerta de emergência, foi desviado e pousou na base aérea de Evreux, no norte da França.

Enquanto isso, a companhia aérea finlandesa Finnair informou que houve uma ameaça de bomba em um de seus aviões que viajava de Helsinque para a capital italiana. A aeronave foi escoltada por caças da Força Aérea e pousou conforme previsto.

Os episódios ocorrem poucos dias depois de oito voos europeus, incluindo dois que partiram do Reino Unido, terem sido alvo de supostas ameaças de bomba. Nenhum explosivo foi encontrado nos aviões após as buscas.

Um comunicado da Aer Lingus confirmou que o voo EI402, de Dublin para Roma, "foi desviado para a Normandia (na França) nesta manhã como medida de segurança".

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A companhia acrescentou: "O voo pousou em segurança e a Aer Lingus trabalhará para reacomodar os passageiros em voos para seu destino final o mais rápido possível".

Os seguintes voos tiveram suas operações afetadas na quinta-feira:

  • Um voo da Aer Lingus de Dublin para Roma foi desviado para uma base aérea francesa após uma ameaça de bomba;
  • Um voo da Finnair de Helsinque para Roma foi alvo de uma ameaça de bomba e pousou normalmente;
  • Um segundo voo da Finnair, que viajava de Helsinque para Viena, na Áustria, foi alvo de uma ameaça e pousou normalmente;
  • Um voo da Wizzair de Milão, na Itália, para Varsóvia, na Polônia, emitiu um alerta de emergência e foi desviado para Viena, mas nenhum motivo foi informado.
  • Um voo da companhia aérea polonesa LOT de Varsóvia para Bruxelas, na Bélgica, pousou conforme previsto. A companhia afirmou que "nenhum objeto suspeito foi encontrado".
  • Três voos da Ryanair pousaram na Bulgária, segundo a imprensa búlgara. Um que partiu de Copenhague e outro de Madri pousaram na capital, Sófia, enquanto um terceiro, que vinha de Londres com destino a Sófia, pousou em Plovdiv (na Bulgária).

Na terça-feira, sete aviões foram revistados após ameaças de bomba na Europa.

Dois partiram do Reino Unido: um saiu de Manchester e pousou em Múrcia, na Espanha, e o outro viajou do aeroporto de Heathrow, em Londres, para Varsóvia, na Polônia.

Dois voos da Ryanair — um que partiu de Dublin e outro de Lisboa — foram revistados após pousarem em Roma, depois de denúncias anônimas, mas nenhum explosivo foi encontrado, disseram à BBC fontes do aeroporto de Fiumicino, na cidade.

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O governo britânico descreveu os episódios como "falsas ameaças mal-intencionadas".

Na segunda-feira, um voo da Wizz Air que viajava do aeroporto de Luton, em Londres, para Sófia foi escoltado por um caça húngaro até Budapeste, na Hungria, após uma ameaça de bomba durante o voo.

Alto custo para companhias aéreas

Um especialista em segurança da aviação disse à BBC que as ameaças de bomba desta semana "muito provavelmente são falsas, mas o sistema está certo em tratá-las como reais".

Marco Chan, professor de operações de aviação na Universidade de Kingston e ex-piloto da Cathay Pacific, diz que alguns especialistas veem as falsas ameaças como "possivelmente parte de um padrão de ações de baixo custo para perturbar o transporte aéreo, cuja autoria pode ser negada".

Ele acrescenta que "ondas de falsas ameaças também podem partir de pessoas que imitam outras ações ou de um pequeno grupo de indivíduos", mas que "três dias de incidentes são uma amostra pequena demais para distinguir uma ação coordenada de uma onda de imitação".

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Chan afirma que o "custo para quem faz a ameaça é quase zero", em comparação com o impacto significativo sobre companhias aéreas, aeroportos e forças aéreas.

"Essa assimetria é o objetivo da tática, seja qual for a motivação."

No caso do voo da Aer Lingus desta manhã, que foi desviado para um aeródromo militar no norte da França, Chan diz que o "desvio, a escolta e o isolamento" em uma instalação militar mostram o "alto custo dos alarmes falsos para evitar que um único ataque passe despercebido".

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