Vice-premiê da Itália busca ampliar parceria com Brasil em visita a SP

Tajani abordou laços históricos, acordo UE-Mercosul e investimentos entre países em artigo

9 set 2026 - 10h43
(atualizado às 11h12)
Resumo
Em visita a São Paulo, o vice-premiê italiano Antonio Tajani lidera uma comitiva de cem empresas para ampliar a cooperação econômica e tecnológica com o Brasil. Apoiado em laços históricos e em um comércio bilateral que superou 11 bilhões de euros, a missão visa expandir investimentos em transição energética, infraestrutura e inovação. O chanceler também destacou a relevância do acordo entre União Europeia e Mercosul para impulsionar a geração de empregos e o crescimento conjunto.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, inicia nesta quarta-feira (9), em São Paulo, sua terceira visita ao Brasil desde o começo de seu mandato, em busca de ampliar a parceria econômica entre os dois países.

Tajani realiza visita pela América Latina
Tajani realiza visita pela América Latina
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em artigo de opinião publicado no jornal "O Globo", sob o título "Itália e Brasil compartilham história e olhar para o futuro", Tajani destacou os laços históricos entre Itália e Brasil e defendeu o aprofundamento da parceria econômica, industrial e tecnológica.

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"Inicio hoje, em São Paulo, minha terceira visita ao Brasil desde o início do meu mandato ? um país que amo, onde sempre me sinto em casa", afirmou o ministro, enfatizando que "cada uma dessas missões representou uma etapa fundamental no fortalecimento da extraordinária parceria" entre as nações.

Tajani recordou que, em 2024, a Itália celebrou os 150 anos da imigração italiana no Brasil. Atualmente, cerca de 1 milhão de cidadãos italianos vivem no país, ao lado de aproximadamente 32 milhões de brasileiros de origem italiana, formando a maior comunidade de ítalo-descendentes do mundo, segundo o ministro.

No artigo, o chanceler italiano também lembrou sua participação na COP de Belém, em novembro de 2025, a qual classificou como uma oportunidade para reafirmar o compromisso conjunto com a transição energética sustentável.

Durante a visita a São Paulo, o ministro lidera uma grande missão empresarial, com uma delegação de cerca de 100 empresas italianas e a participação do presidente da Confindustria, Emanuele Orsini.

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A iniciativa busca ampliar as oportunidades comerciais e de investimentos entre os dois países, especialmente diante do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que, segundo Tajani, permitirá às empresas italianas acesso a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.

De acordo com o vice-premiê, o intercâmbio comercial entre Itália e Brasil superou 11 bilhões de euros em 2025.

"O Brasil é o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul. Cerca de 1,1 mil empresas com participação italiana operam no Brasil, gerando empregos e construindo relações industriais de longo prazo", escreveu.

Tajani apontou ainda setores considerados estratégicos para a expansão da cooperação, como minerais críticos, energia, automóveis, infraestrutura, agronegócio, mecânica e equipamentos industriais.

Além disso, destacou que o território brasileiro possui posição de destaque em energias renováveis, biocombustíveis e hidrogênio verde, enquanto a indústria italiana reúne tecnologias e competências reconhecidas internacionalmente.

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A inovação também aparece entre as prioridades da parceria.Tajani destacou São Paulo como um dos principais polos de inovação da América Latina, com oportunidades de cooperação em inteligência artificial, agritech, fintech, cibersegurança, infraestrutura digital e tecnologias para a saúde. Cultura e diplomacia esportiva também foram citadas.

Como parte da iniciativa, Itália e Brasil organizaram, com a Confindustria e as agências de internacionalização, um Fórum Econômico dedicado aos setores considerados prioritários, para "aproveitar esse imenso potencial".

A intenção, segundo Tajani, é ampliar a presença de empresas italianas no Brasil, incentivando investimentos e produção no país como plataforma de expansão para a América Latina. Ao mesmo tempo, a Itália pretende atrair mais investimentos brasileiros e ampliar as parcerias industriais e de inovação.

"Em um mundo marcado por crescentes tensões comerciais e tendências à fragmentação, Itália e Brasil podem demonstrar que a abertura dos mercados, os investimentos recíprocos e a cooperação industrial são instrumentos fundamentais para gerar crescimento e emprego", destacou.

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Por fim, Tajani ressaltou os 150 anos de história compartilhada entre italianos e brasileiros e afirmou que o objetivo agora é transformar esse legado em novos investimentos, oportunidades e crescimento.

"Nossas raízes são profundas. É sobre elas que queremos construir uma grande aliança econômica e industrial para o futuro", concluiu. 

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