A Prefeitura de Veneza vetou a construção de uma mesquita em Mestre, exigindo maior integração da comunidade de Bangladesh, sobretudo quanto aos direitos das mulheres. Em resposta, os imigrantes bengaleses, cruciais para a economia local, ameaçam paralisar o setor turístico e os estaleiros navais com uma greve geral. Diante da tensão, a liderança católica local apelou por um diálogo construtivo entre o poder público municipal e a comunidade islâmica.
A Prefeitura de Veneza proibiu a construção de uma mesquita em Mestre, na parte continental da cidade, e a comunidade local de imigrantes de Bangladesh prometeu organizar uma greve para protestar contra a decisão.
A capital do Vêneto abriga cerca de 10 mil trabalhadores bengaleses, que constituem uma grande parte da mão de obra em bares e restaurantes do centro histórico veneziano, bem como nas instalações de um estaleiro da empresa naval Fincantieri.
O projeto existe há vários anos e prevê a construção de uma mesquita perto da estação ferroviária de Mestre, na área de uma antiga serraria abandonada.
O terreno foi comprado recentemente pela associação de imigrantes bengaleses "Giovani per l'Umanità" ("Jovens pela Humanidade"), que pretende levantar o templo islâmico com recursos próprios, porém o local é classificado atualmente como imóvel comercial, e sua transformação em "zona de interesse coletivo", passo necessário para a obra sair do papel, depende da Prefeitura.
No entanto, segundo o prefeito de centro-direita Simone Venturini, eleito em maio passado, a construção da mesquita será autorizada somente quando a comunidade de imigrantes de Bangladesh der "passos concretos" no caminho da "integração", sobretudo em relação "às condições da mulher".
"Se não nos deixarem construir nossa mesquita, estamos prontos para ir às ruas. E se entrarmos em greve, a Fincantieri fechará, juntamente com todo o setor turístico", ameaçou nesta semana o presidente da "Jovens pela Humanidade", Prince Howlader.
Segundo ele, foi o ex-prefeito Luigi Brugnaro, também de centro-direita, quem indicou a serraria abandonada como local adequado para o templo islâmico. "Foi a Prefeitura que nos colocou em contato com os ex-proprietários. Há três anos dialogamos com o governo municipal para realizar esse projeto, que é de toda a comunidade muçulmana", salientou.
Já o patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, principal autoridade católica da cidade, pediu um "diálogo construtivo entre a Prefeitura e a comunidade islâmica". "Estamos diante de uma questão delicada que afeta um aspecto fundamental da vida do município e de seus habitantes. É urgente aumentar a confiança recíproca, e isso pode ocorrer apenas por meio de um percurso de integração", disse.