O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, invocou a Segunda Guerra Mundial para defender a guerra americana no Irã e rebater as críticas do papa Leão XIV ao conflito.
Durante um evento da organização Turning Point USA, o vice de Donald Trump, que é católico, afirmou que o pontífice estava errado ao dizer que os discípulos de Cristo "nunca estão do lado daqueles que um dia empunharam a espada e agora lançam bombas".
"Deus estava do lado dos americanos quando eles libertaram a França dos nazistas? Eu acredito que sim", justificou Vance, citado pelo New York Times.
Para o número dois de Washington, "assim como o vice-presidente americano é cauteloso em questões políticas, o Papa também deveria ser ao falar sobre teologia".
Apesar das críticas, Vance também destacou seu bom relacionamento com Robert Prevost, o primeiro norte-americano a ocupar o cargo de pontífice.
"Tenho muito respeito pelo Papa. Gosto dele, o admiro e tive a oportunidade de conhecê-lo um pouco", disse o vice-chefe de Estado, antes de prosseguir: "Não me incomoda quando ele fala sobre assuntos da atualidade, nem mesmo quando discordo da aplicação de algum princípio".
Em seguida, Vance foi interrompido por alguém da plateia que gritou: "Jesus não apoia o genocídio", em uma aparente referência ao massacre de Israel na Faixa de Gaza.
"Concordo, Jesus Cristo certamente não apoia o genocídio", respondeu Vance.
A crise entre a Casa Branca e o Vaticano teve início no domingo (12), quando Trump atacou Prevost em uma longa mensagem nas redes sociais, após o líder da Igreja Católica pedir o fim do conflito no Oriente Médio, iniciado pelos EUA e Israel em fevereiro.
"O papa Leão XIV é fraco no combate ao crime e péssimo em política externa. Ele fala sobre o 'medo' do governo Trump, mas não menciona o medo que a Igreja Católica e todas as outras organizações cristãs sentiram durante a Covid, quando prenderam padres, pastores e todos os outros por realizarem serviços religiosos", escreveu Trump na ocasião.
Já o Papa afirmou "não ter medo" do atual governo republicano. "Falo sobre o Evangelho e continuarei a me manifestar em voz alta contra a guerra", frisou Leão XIV.