O governo da Irlanda, país que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, convocou para a próxima terça-feira (4) uma reunião de ministros do bloco para discutir a resposta à crise migratória em Ceuta, exclave da Espanha no Marrocos.
A medida chega após pedido do premiê espanhol, Pedro Sánchez, que apontou uma "reação assimétrica" entre os Estados-membros da UE à emergência dos últimos dias.
"Como país de turno na presidência, a Irlanda convocará uma reunião do Conselho de Justiça e Assuntos Internos da UE na terça-feira, presidida pelo ministro da Justiça Jim O'Callaghan, para discutir os acontecimentos em Ceuta", afirmou o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin.
"Continuamos em contato próximo com todos os Estados-membros e instituições e a monitorar a situação", acrescentou. A reunião será feita por meio de videoconferência.
Em carta enviada à Comissão Europeia, Sánchez disse que "a maior parte" da UE "mostrou apoio e solidariedade, oferecendo assistência" após a crise em Ceuta, porém "outros escolheram atacar a Espanha e pedir sua exclusão temporária da Área Schengen".
"Tal postura, ditada por preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos, não apenas é contrária ao direito europeu, ao direito humanitário e aos princípios de solidariedade que nos unem, mas também aos interesses de longo prazo da Europa e ao bom senso mais elementar", declarou o premiê.
Na última sexta-feira (31), a Itália anunciou a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha por um mês, o que, na prática, significa a reintrodução do controle de passaportes nas fronteiras aéreas e marítimas entre os países.
No dia anterior, cerca de 50 mil migrantes provenientes do Marrocos entraram em Ceuta a nado, sendo que pelo menos 67 corpos foram recuperados do lado espanhol, e 17, do marroquino, totalizando 84 mortes confirmadas até o momento.
Segundo Sánchez, "praticamente todos os que entraram de forma irregular foram repatriados", e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou que "ninguém chegou à Espanha continental ou ao restante da UE". .