Turquia: governo de Erdogan prende opositores; mais um prefeito foi detido

Na Turquia, mais um município comandado pelo partido de oposição ao governo está na mira da Justiça: Bursa é a quarta maior cidade do país em população, fica a cerca de 150 quilômetros da capital e viu, na manhã desta terça-feira (31), seu prefeito ser levado sob custódia. Esta é a mais recente de uma longa série de operações que já levou à prisão 18 prefeitos do CHP (Partido Republicano do Povo), incluindo o de Istambul, Ekrem Imamoglu.

31 mar 2026 - 11h00

Anne Andlauer, correspondente da RFI em Istambul

Apoiadores da oposição em frente ao ônibus do partido CHP, em um encontro em Niğde, na Turquia, em 7 de fevereiro de 2026.
Apoiadores da oposição em frente ao ônibus do partido CHP, em um encontro em Niğde, na Turquia, em 7 de fevereiro de 2026.
Foto: © Mathilde Warda/RFI / RFI

Mustafa Bozbey, eleito pelo CHP, está sob custódia no âmbito de uma investigação por "corrupção". Cinquenta e quatro pessoas foram presas junto com ele, incluindo vários membros de sua família, e outras quatro estão sendo procuradas.

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Para o CHP, o principal partido de oposição turco, a prisão do prefeito de Bursa é mais um duro golpe. Bozbey foi detido por suspeitas de "corrupção" e "lavagem de dinheiro" relacionadas ao período em que ele era prefeito de um distrito da cidade.

O partido, que denuncia uma nova operação política, considera que a escolha da data não é coincidência: essa prisão ocorre exatamente dois anos após as eleições municipais de 31 de março de 2024 na Turquia. Naquele dia, Bursa havia passado para o campo da oposição após 20 anos sob controle do partido de Recep Tayyip Erdogan.

No plano nacional, aquela eleição marcou a primeira derrota do presidente desde sua chegada ao poder, e Bursa se tornou um símbolo desse revés.

Nas últimas semanas, as operações policiais contra prefeituras do CHP se multiplicaram, após um ano marcado por numerosas prisões, incluindo a de Ekrem Imamoglu.

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O ex-prefeito de Istambul (cidade conquistada em 2019) e principal rival de Erdogan está sendo julgado desde 9 de março em um amplo processo por suposta corrupção. 

No tribunal, nesta segunda-feira (30), ele denunciou uma "tempestade de processos" dirigida contra ele e seu partido. Ele pode ser condenado a uma pena de até 2.300 anos de prisão por 142 infrações.

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